International Legal Translation Conference

Mais uma conferência oferecida pela TRADULÍNGUAS, dessa vez voltada para a tradução jurídica. Quem já participou de eventos anteriores sabe que a viagem vale a pena.

O evento acontece de de 7 a 8 de outubro, em Lisboa, com apoio da Universidade Nova de Lisboa. O programa conta com a participação de tradutores da Comissão Europeia e membros da ATA ou do ITI adquirem pontos nos programas de extensão. Todas as informações encontram-se no site www.tradulinguas.com, ou clicando aqui.

Eu pretendia ir, mas estarei no Brasil, participando do II ENCULT, em João Pessoa (veja o post anterior). Novidades sobre isso em breve.

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II Encontro Nacional Cultura e Tradução em João Pessoa

De 05 a 07 de outubro deste ano, a Universidade Federal da Paraíba realizará o II Encontro Nacional Cultura e Tradução. As inscrições estão abertas e todas as informações encontram-se no site mantido pelos organizadores aqui: http://www.cchla.ufpb.br/encult/.

A programação definida até agora é interessante e, para quem ainda não conhece, o evento pode ser uma boa oportunidade de visitar a UFPB, que parece estar desenvolvendo um ótimo trabalho na área. Sem falar que João Pessoa e suas praias, mas não só elas, certamente valem qualquer viagem. Fica a dica.

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De grátis

Post bem curtinho. Como o André nunca aparece para escrever aqui, vou contar hoje uma historinha que acaba de acontecer com ele.

Uma agência mandou um e-mail com uma consulta para um serviço bem pequeno, umas 3 linhas,  com documento anexo e até TM. Normal, não é? Só que a coisa veio nesses termos:

“Prezado Sr. André, poderia, por favor, traduzir os textos abaixo para o português do Brasil DE GRAÇA? O assunto é URGENTE, portanto pedimos resposta imediata!”

É melhor nem comentar, mas achei que esse absurdo merecia ficar registrado em algum lugar.

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Por que será?

Muita gente detesta a segunda-feira, dia de voltar ao batente. Pois eu já acho que tradutor tem motivo para temer as sextas-feiras. Afinal, por que será…

… que clientes sempre pedem a entrega daquele projeto cabeludo para sexta-feira EOB?

… que muitas agências lembram de você na sexta de tarde para mandar aquele projeto urgentíssimo que tem de ser entregue até segunda de manhã sem falta?

… que aquela certidão de casamento, que ficou na gaveta do cliente sei lá quanto tempo, de repente precisa ser apresentada à repartição, traduzida, na segunda-feira, senão a polícia, o BND ou o Papa são capazes de acabar com a felicidade familiar?

… que todos se despedem para um fim de semana na praia, ou nos Alpes, deixando os abacaxis na sua caixa postal para serem devidamente descascados até eles voltarem para encarar a semana?

Enquanto essas e outras perguntas me assolam, vou tomando o meu suquinho de maracujá para não perder a calma e não esmorecer. Pensando bem, há dias melhores. Mas nos últimos tempos, essas sextas-feiras…

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Nossos computadores, essas maquininhas traiçoeiras!

Hoje o Marcos Zattar, um colega que, além de competente, é cobra também no computador, me mandou um ótimo e-mail contando suas últimas peripécias com as entranhas do seu bichinho de estimação.  Eu reconheci ali o suor frio que já senti em algumas situações no passado e achei que vocês gostariam de ler também. Afinal, quem aí nunca teve medo de perder seus glossários, de não poder entregar o projeto no prazo porque o computador pifou, de ter esquecido de fazer o backup justamente na véspera do dia em que você aperta o botão e … nada acontece, a tela continua preta, ou um pontinho branco aparece piscando sozinho num canto?

Já bati aqui na madeira três vezes! Agora, com vocês, o Marcos:

Bem, meu périplo aparentemente terminou! A peça quebrada (Retention-Modul) é um quadrado de plástico que serve pra fixar a ventoinha da CPU na placa-mãe. Levei o maior susto ao chegar no escritório ontem e perceber que meu PC, que sempre fica ligado, estava desenergizado. Olhei pela janelinha do gabinete e qual não foi a minha surpresa ao perceber que a ventoinha estava desencaixada e pendente apenas pelo cabo. Abri o PC e levei outro susto – achei que a CPU tinha sumido! “Poooots! Alguém entrou aqui e afanou a danada!” foi o flash em minha mente. Nessas horas a nossa cabeça entra em pânico e nosso raciocínio perde toda a lógica. Ora bolas, se alguém fosse se dar o trabalho de abrir um PC pra tirar a CPU, tiraria também as RAMs e os discos rígidos, peças que podem ser levadas no bolso, e elas estava todas em seus lugares. Examinei melhor e percebi que a CPU estava lá, me aloprei sem razão. Ufa! E percebi que a tal da Retentions-Modula tava com a linguetinha quebrada – deve ter sido muita pressão provocada pela presilha de fixação da ventoinha. Desmonto essa tralha toda a cada 6 meses pra passar o aspirador e limpar todo o pó acumulado, esse tira e põe deve ter esgarçado a peça… Pensei cá comigo: esse Retentor-Modulativo é uma peça furreca que deve ter em qualquer lugar pra comprar. Esperei dar 10 horas e fui pra Arlt. Mais uma surpresa no dia: não havia a peça em estoque e, se eu a encomendasse, receberia apenas na terça-feira. Tou ferrado, pensei! Os prazos me chamando e eu ficaria a ver navios. Encomendei mesmo assim e fui procurar em outros lugares. Nada, em lugar nenhum tinha. A Conrad, uma mega loja em Mannheim, me informou por telefone que também não tinham o Retentor-De-Medula a pronta entrega e que, confirmado o meu pedido, poderiam fornecê-la após 7 dias, no mínimo. Xiiiii…. como pode uma pecinha de plástico que custa não mais que 5 euros e encontrada em qualquer placa-mãe pode causar um transtorno desses? Vai lá o Marcos pra Internet procurar um lugar que fizesse entrega a jato. Caí na minha querida Alternate. Pesquisei e achei algumas peças parecidas, mas nenhuma com a aparência exata do meu Recôncavo-Molejo. Melhor ligar pra lá e perguntar. Muito atenciosa, a Hotlinerin pede o modelo da minha placa-mãe-joana e com ele localiza um Retângulo-Maduro do tipo universal, o dobro do preço do original. Onze euros, tudo bem, vamos nessa. “Tem entrega a jato?”. Tem, mas custa 17 pila. Poooots, a entrega é mais cara que a própria Retífica-Meticulosa! Tenho opção? Pedi a coisa já com aquela sensaçãozinha de “será que vai encaixar no meu PC, será que é a peça certa? E será que vai chegar mesmo no sábado?”. Hoje de manhã, eu tomando o meu café e ouvindo a CBN noticiar a morte da namorada do filho do governador do Rio (que a imprensa já está chamando de “nora”), chega a tão aguardada Retumbância-Maginária. Fui pro escritório e mãos à obra. De cara, foi um bom sinal ver que os furos da peça se encaixavam perfeitamente na placa-mama. Depois de aparafusar tudo, lidei mais de uma hora tentando encaixar a ventoinha sobre ela, tava super apertado! Sem falar no medo de escangalhar a CPU. Tirei tudo, coloquei uns espaçadorezinhos de borracha que vieram com o kit, aumentando assim um pouquinho a altura da peça em relação à placa-mama, coloquei tudo de volta, lidei, lidei e … deu certo, encaixou a ventoinha! Próximo suspense: será que o PC vai funcionar? Liguei o cara e… ufa, o Windows veio. Pra conferir a temperatura e ver se a CPU não estava esquentando demais, instalei o Core Temp (http://www.alcpu.com/CoreTemp/). Junto com ele, instalei um gadgetzinho pra indicar a temperatura monitorada no meu desktop (http://www.alcpu.com/CoreTemp/addons.html). Como se vê pela imagem em anexo, a CPU se encontra em amenos 41 °C – uma temperatura subtropical, CPUisticamente falando. Vamos torcer pra que continue assim…

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Es Molí

Vocês lembram de Dom Quixote e seus moinhos? Bonita história, não é?

Hoje vou falar de um moinho diferente, menos dramático, mas que definitivamente entrou para a minha lista de lugares prediletos no mundo. Chama-se Es Molí, um restaurante com um nome tão despretensioso quanto o lugar onde fica:  San Telm – ou San Telmo, ou Sant Elm, dependendo da placa – na ilha de Maiorca, no Mediterrâneo.

San Telm

As águas cristalinas de San Telm

Os alemães costumam dizer que Maiorca já é praticamente o 17° estado alemão, uma alusão à quantidade absurda de turistas alemães que invadem a ilha diariamente. É compreensível, Maiorca é um destino agradável e de fácil acesso, a apenas uma hora e meia de voo, com passagens baratas, praias e passeios belíssimos e gente alegre. Os alemães gostam tanto de Maiorca que alguns até emigraram para lá, como o nosso amigo Mathias Günter, que abriu sua escola e operadora de mergulho em San Telm, esse lugar privilegiado, longe da baderna turística, onde a única linha de ônibus que circula deixa uns poucos turistas e faz a curva de volta à chamada “civilização”. É para esse lugar que nós fugimos de vez em quando, à procura de descanso. E é ali, em frente ao ponto final do ônibus e à escola do Mathias (Scuba Activa), que há cerca de dois anos um grupo de gente teve a feliz ideia de reformar a casa e abrir um novo restaurante no velho moinho.

Na nossa primeira noite, entramos no restaurante por dois motivos: preguiça e curiosidade. Preguiça porque já era tarde, tínhamos acabado de chegar, carregando malas e equipamento de mergulho, queríamos jantar e era o lugar mais próximo, quase dobrando a esquina. Curiosidade porque ficamos surpresos com o novo visual do lugar.

Es Molí

A entrada do Es Molí.

Conhecíamos o antigo restaurante, um lugar simples, com comida gostosa, mas nada diferente dos outros que existem em San Telm. Agora, as mesas no jardim tinham um design moderno, a iluminação era outra, tudo estava diferente.

Achamos que tinham transformado o restaurante num lugar caro e afetado, como tantos na ilha, mas totalmente fora do contexto da cidadezinha. Fomos conferir o cardápio e – supresa! – os preços eram razoáveis e a descrição dos pratos apetitosa. Entramos e a surpresa foi melhor ainda. Decorado em tons de terra, cinza e branco, o lugar consegue ser elegante, mas também confortável e aconchegante. As mesas bem postas, a iluminação bem bolada e o pessoal atencioso fizeram com que nos sentíssemos imediatamente à vontade. Uma pequena entrada oferecida pela casa já deixou entrever que a cozinha tinha boas intenções com a gente.  Pedimos um prato de carnes grelhadas para dois que não ficou em nada a dever aos melhores churrasqueiros do Brasil e o vinho recomendado pela moça que nos atendeu era perfeito! E me arrependo de já não ter pedido naquela noite uma das saborosas sobremesas que só descobri nas outras visitas que fizemos.

Além do ambiente e da comida saborosa, o que nos fez voltar várias vezes ao Es Molí foi, principalmente, o atendimento. Sou carioca, sempre preferi os lugares onde posso entrar de havaianas às casas requintadas e esnobes, onde você mal tem tempo de esvaziar o copo e lá vem um garçom com a garrafa na mão para servir. Em lugares assim, tenho a sensação de estar sendo constantemente observada e não me sinto em casa.

Pessoal do Es Molí

Marta, José e o mago da cozinha, Juan.

No Es Molí, eles dominam a arte de encontrar o momento certo para perguntar se você deseja mais alguma coisa. Você pode comer à vontade, experimentar o prato do seu acompanhante, terminar de contar sua história sem alguém em pé ao lado para ouvi-la, recostar-se na cadeira enquanto o vinho desce e se acomoda no estômago, e se esquecer da vida. Quando precisar, basta um olhar e logo alguém vem atender, sempre com um sorriso agradável (e uma santa paciência com o nosso espanhol ridículo).

Aliás, a questão da língua daria um outro post, já que, embora a língua oficial seja o espanhol ou catalão, o que se fala na ilha é mallorquí . Mas isso, a operadora do Mathias e os alemães na ilha são história para mais tarde.

Enfim, se um dia você, leitor, for parar nesse maravilhoso cantinho do mundo que é San Telm, não deixe de entrar no Es Molí. Se você der sorte, vai encontrar um tataky de atún rojo no cardápio. Não perca! E mesmo se já estiver satisfeito, peça o sorbet de limão com vodca, ou (alô, meninas!) o brownie com sorvete. Sua dieta vai para o brejo, mas a alma agradece.

E nós também agradecemos à turma do Es Molí, por ter tornado nossos dias em San Telm ainda melhores. Gràcies!

Fiat Molí

Até o carro do Es Molí combina com o design.

Interior do Es Molí.

O interior do Es Molí: elegância simples.

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Dá uma forcinha aí, vai?

Isso era para ser uma resposta aos comentários da Candice e do André no último post, mas achei que merecia um espaço maior. A Candice comenta que “infelizmente, há muito amadorismo por aí” e o André levanta a hipótese que a intérprete do nosso caso talvez tivesse sido vítima da típica situação de quem vai “dar uma força” para um amigo ou colega.

Concordo com as opiniões, mas acho que tem mais coisa nisso. Acredito que tudo depende de como você encara o que faz na vida, seja a sua profissão ou qualquer outra coisa. O que falta, geralmente, é seriedade, no bom sentido.

Não estou falando de tradutores sisudos, ou gente mal humorada. Também não estou falando de  perfeição, até porque conheço pouca gente tão desligada e capaz de cometer erros como eu. Nem estou falando de não correr riscos e só seguir caminhos que você já conhece. Seria a última pessoa a criticar quem se arrisca a enveredar pelas trilhas da tradução ou interpretação sem ter formação na área, já que eu mesma não a tenho.

Estou falando de levar a sério aquilo você resolve fazer, seja um pãozinho de queijo para o café ou a tradução de um contrato. Estou falando de tentar fazer o melhor que você é capaz, mesmo sabendo que não vai ser perfeito. E estou falando de dar valor àquilo que você (e os outros) fazem.

Um exemplo: a primeira tradução da minha vida foi feita “dando uma forcinha” para um amigo. Ele era poeta, ia publicar um livrinho e queria que eu o ajudasse a traduzir trechos de um texto em alemão que ele pretendia citar na sua introdução. Eu topei porque era meu amigo. Levamos mais de um mês trabalhando juntos naquilo. A mulher dele, alemã, nos ajudou. Eu acabei até lendo mais coisas do tal autor alemão, para saber mais sobre ele e entender melhor o que estávamos fazendo. A gente batalhou, se divertiu, não ganhamos nada com aquilo, mas terminamos todos felizes e satisfeitos com o resultado. Isso é seriedade.

Outro exemplo: eu trabalhava no consulado do Brasil fazia uns anos e um dia me ligou a coordenadora de eventos de uma instituição cultural em Stuttgart, que eu conhecia de outras oportunidades. Estavam organizando um evento em que grupos culturais sul-americanos se apresentariam e haveria palestras de experts sobre diversos países. Ela queria que o cônsul fizesse uma palestra sobre o Brasil, sua história, política, economia.  Ele não podia, então ela perguntou se eu não poderia “dar uma forcinha”. Nem pensei duas vezes, agradeci e disse que não. Ela ficou indignada, achando que eu não queria colaborar. Não adiantou eu explicar que não entendo nada de política e economia, que a palestra ia ser em alemão e eu não me sentia segura para aquilo, que de forma alguma eu podia comparecer como representante oficial do consulado para vender mal o peixe do meu país e era melhor ela procurar um verdadeiro expert. O comentário final dela foi que “se fosse eu, me sentiria honrada e a gente sempre pode falar qualquer coisa sobre o próprio país”. Lamento, mas falar qualquer coisa não é sério.

Último exemplo: um dia, uma amiga, querendo me “dar uma forcinha”, perguntou se eu não queria ser a intérprete de um congresso acadêmico. Os organizadores já tinham feito contato com um intérprete, mas o colega era caro, eu podia me apresentar e oferecer um preço menor. Disse que não faço simultânea, então não dava, e achei melhor nem comentar a questão do “preço menor”. Ela ainda insistiu que eu tenho experiência, seria uma boa oportunidade. Aí expliquei que simultânea é outra coisa, eu não domino a técnica e se seu aceitasse, ia queimar meu filme e o deles, fazendo um serviço mal feito. Era melhor ela contratar o colega. A resposta foi “que pena, mas você tem razão”. Isso é sério.

Pode parecer que eu sempre faço a coisa certa. Não é verdade. De vez em quando faço besteira e bato com a cabeça na parede novamente, para não esquecer que errar é um direito de todos. Mas é por isso mesmo que vivo pensando nessas coisas e tentando desviar das paredes. Dor de cabeça atrapalha a produção!

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Ele disse que você disse que…

O cenário é um saguão de hotel em São Paulo. Na área reservada para computadores e mesas de trabalho, estão sentados dois árabes, um brasileiro e uma intérprete, também brasileira, a julgar pelo sotaque. Um dos árabes fala inglês com a intérprete, que traduz para e do português. O outro árabe só fala diretamente com o parceiro.

A cena é corriqueira, aparentemente uma negociação entre parceiros de negócios. Mas da forma que a presenciei seria um bom exemplo do como um intérprete NÃO deve atuar. O inglês da moça parecia bom, pelo menos a pronúncia era excelente. Só que corriam diálogos mais ou menos assim:

Brasileiro: Eu tenho certeza absoluta que discuti essa cláusula do contrato durante a nossa primeira conversa.

Intérprete: He said he mentioned this during your first conversation.

Árabe (depois de uma discussão em árabe com seu parceiro e com semblante irritadíssimo): We had agreed on 10%! It was never said there would be any other taxes!

Brasileiro: O que foi que ele disse?

Intérprete: Que vocês estão cobrando mais do que combinaram.

E por aí vai. Dava para fazer aqui um exercício aberto, do tipo “descubra os sete erros nessa cena”. Eu estava tentando ler meus e-mails em um computador ao lado, mas cada vez que ouvia mais um “ele disse que você disse”, tinha vontade de levantar e ir lá perguntar se podia ajudar.

Não é que eu me ache uma ótima intérprete. Pelo contrário, sofro de uma insegurança crônica que só consigo controlar enquanto estou trabalhando. Antes e depois, eu sou uma caixinha de perguntas, dúvidas eternas e autocrítica. Por isso mesmo, essa cena, que vi há meses, não me sai da cabeça e ilustra muito bem tudo o que pode dar errado se você não fizer o serviço direitinho durante uma negociação.

Talvez aquele árabe não ficasse tão irritado se as respostas às suas perguntas tivessem o mesmo tom e, acima de tudo, exatamente o mesmo conteúdo das respostas dadas pelo brasileiro. Vai ver as tais taxas extras sumiram já durante a interpretação das negociações anteriores.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o evidente desinteresse da moça pelo que estava se passando ali. Enquanto os três homens tinham o olhar desperto e estavam sentados bem próximos da mesa, sinalizando contato com os gestos, ela estava recostada na poltrona e mal movia a cabeça quando falava com um ou outro. Talvez eu esteja errada, mas acredito que a postura do intérprete também influencia o resultado e linguagem não-verbal faz parte da mensagem. Não basta o cabelo arrumadinho e a roupa certa, se o corpo e os olhos estão dizendo “acabem logo com isso que eu quero ir para casa”.

Mas é possível também uma outra versão da história. E se a moça nem for intérprete profissional? E se aquilo era um trabalho voluntário? Ou, pior, se tiverem dito a ela que seria coisinha pouca e passado a conversa para ela fazer um precinho camarada? E se ela estivesse ali se sentindo enganada, presa numa armadilha da qual não podia mais sair? Acontece também, não é? Já estive em situações assim, mas tenho o mau costume de querer fazer as coisas direito, mesmo sendo mal paga. Mas cliente que não vê a importância do intérprete para o sucesso da negociação, talvez mereça mesmo levar para casa umas pragas rogadas em bom árabe!

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Danilo Nogueira e Kelli Semolini em Paris. Quem vai?

Querer divulgar notícia que já saiu no blog Tradutor Profissional parece até piada. O blog do Danilo Nogueira, que recentemente vem contando com a colaboração da colega Kelli Semolini, é uma referência tradicional e valiosa para quem busca informações na área, e o Danilo dispensa apresentações.

Mesmo assim, me sinto no dever de divulgar a palestra que esse dois excelentes colegas darão em Paris, no dia 11 de abril deste ano. Vai que alguém vem parar aqui por acaso e ainda não ouviu a novidade?

O evento é organizado por iniciativa da Maria Marques e da Chris Durban, que, aliás, estará lançando seu livro The Prosperous Translator em Portugal, poucos dias antes. Todas as informações necessárias estão aqui. Para quem trabalha com o português,  é uma oportunidade e tanto de desfrutar da generosidade do Danilo, que compartilha sua vasta experiência de bom grado com aqueles que ainda não chegaram lá.

Além do mais, quem precisa de desculpa melhor que essa para ir a Paris?

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Schneematsch

Para você pronunciar direito essa palavra, eu deveria escrevê-la em português mais ou menos assim: xnêmát. Pelo menos seria essa a minha versão carioca. Isso traduzido é ” neve que começa a derreter e vira lama”. Ou, como preferem algumas soluções que encontrei por aí, “neve derretida”, “lama de neve”, “água de degelo”.

Fosse eu a autora de um dicionário da neve, essa coisa teria um único nome possível: neve melecada. Imaginem aquele barro que desce dos nossos morros brasileiros com as chuvas de verão, entupindo as ruas e estragando nossos sapatos. Agora imaginem isso cinza e com muito frio. É essa a ideia. Experimentem fazer uma busca de imagens no Google com “Schneematch” e depois me digam se eu não tenho razão.

Ontem levei meu primeiro escorregão de inverno ao descer do carro e pisar na tal neve melecada descuidadamente. Esqueci que, embora o troço já esteja derretendo, ainda há muito gelo por baixo. Para apagar o vexame, resolvi me vingar deixando aqui minha proposta pessoal de tradução para essa palavrinha infame.

E por falar em neve, encontrei no excelente blog do Fábio Said um ótimo post sobre os muitos nomes de neve e afins na língua alemã! Não deixem de ler aqui.

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