Arquivo do mês: junho 2011

Nossos computadores, essas maquininhas traiçoeiras!

Hoje o Marcos Zattar, um colega que, além de competente, é cobra também no computador, me mandou um ótimo e-mail contando suas últimas peripécias com as entranhas do seu bichinho de estimação.  Eu reconheci ali o suor frio que já senti em algumas situações no passado e achei que vocês gostariam de ler também. Afinal, quem aí nunca teve medo de perder seus glossários, de não poder entregar o projeto no prazo porque o computador pifou, de ter esquecido de fazer o backup justamente na véspera do dia em que você aperta o botão e … nada acontece, a tela continua preta, ou um pontinho branco aparece piscando sozinho num canto?

Já bati aqui na madeira três vezes! Agora, com vocês, o Marcos:

Bem, meu périplo aparentemente terminou! A peça quebrada (Retention-Modul) é um quadrado de plástico que serve pra fixar a ventoinha da CPU na placa-mãe. Levei o maior susto ao chegar no escritório ontem e perceber que meu PC, que sempre fica ligado, estava desenergizado. Olhei pela janelinha do gabinete e qual não foi a minha surpresa ao perceber que a ventoinha estava desencaixada e pendente apenas pelo cabo. Abri o PC e levei outro susto – achei que a CPU tinha sumido! “Poooots! Alguém entrou aqui e afanou a danada!” foi o flash em minha mente. Nessas horas a nossa cabeça entra em pânico e nosso raciocínio perde toda a lógica. Ora bolas, se alguém fosse se dar o trabalho de abrir um PC pra tirar a CPU, tiraria também as RAMs e os discos rígidos, peças que podem ser levadas no bolso, e elas estava todas em seus lugares. Examinei melhor e percebi que a CPU estava lá, me aloprei sem razão. Ufa! E percebi que a tal da Retentions-Modula tava com a linguetinha quebrada – deve ter sido muita pressão provocada pela presilha de fixação da ventoinha. Desmonto essa tralha toda a cada 6 meses pra passar o aspirador e limpar todo o pó acumulado, esse tira e põe deve ter esgarçado a peça… Pensei cá comigo: esse Retentor-Modulativo é uma peça furreca que deve ter em qualquer lugar pra comprar. Esperei dar 10 horas e fui pra Arlt. Mais uma surpresa no dia: não havia a peça em estoque e, se eu a encomendasse, receberia apenas na terça-feira. Tou ferrado, pensei! Os prazos me chamando e eu ficaria a ver navios. Encomendei mesmo assim e fui procurar em outros lugares. Nada, em lugar nenhum tinha. A Conrad, uma mega loja em Mannheim, me informou por telefone que também não tinham o Retentor-De-Medula a pronta entrega e que, confirmado o meu pedido, poderiam fornecê-la após 7 dias, no mínimo. Xiiiii…. como pode uma pecinha de plástico que custa não mais que 5 euros e encontrada em qualquer placa-mãe pode causar um transtorno desses? Vai lá o Marcos pra Internet procurar um lugar que fizesse entrega a jato. Caí na minha querida Alternate. Pesquisei e achei algumas peças parecidas, mas nenhuma com a aparência exata do meu Recôncavo-Molejo. Melhor ligar pra lá e perguntar. Muito atenciosa, a Hotlinerin pede o modelo da minha placa-mãe-joana e com ele localiza um Retângulo-Maduro do tipo universal, o dobro do preço do original. Onze euros, tudo bem, vamos nessa. “Tem entrega a jato?”. Tem, mas custa 17 pila. Poooots, a entrega é mais cara que a própria Retífica-Meticulosa! Tenho opção? Pedi a coisa já com aquela sensaçãozinha de “será que vai encaixar no meu PC, será que é a peça certa? E será que vai chegar mesmo no sábado?”. Hoje de manhã, eu tomando o meu café e ouvindo a CBN noticiar a morte da namorada do filho do governador do Rio (que a imprensa já está chamando de “nora”), chega a tão aguardada Retumbância-Maginária. Fui pro escritório e mãos à obra. De cara, foi um bom sinal ver que os furos da peça se encaixavam perfeitamente na placa-mama. Depois de aparafusar tudo, lidei mais de uma hora tentando encaixar a ventoinha sobre ela, tava super apertado! Sem falar no medo de escangalhar a CPU. Tirei tudo, coloquei uns espaçadorezinhos de borracha que vieram com o kit, aumentando assim um pouquinho a altura da peça em relação à placa-mama, coloquei tudo de volta, lidei, lidei e … deu certo, encaixou a ventoinha! Próximo suspense: será que o PC vai funcionar? Liguei o cara e… ufa, o Windows veio. Pra conferir a temperatura e ver se a CPU não estava esquentando demais, instalei o Core Temp (http://www.alcpu.com/CoreTemp/). Junto com ele, instalei um gadgetzinho pra indicar a temperatura monitorada no meu desktop (http://www.alcpu.com/CoreTemp/addons.html). Como se vê pela imagem em anexo, a CPU se encontra em amenos 41 °C – uma temperatura subtropical, CPUisticamente falando. Vamos torcer pra que continue assim…

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Arquivado em Computadores

Es Molí

Vocês lembram de Dom Quixote e seus moinhos? Bonita história, não é?

Hoje vou falar de um moinho diferente, menos dramático, mas que definitivamente entrou para a minha lista de lugares prediletos no mundo. Chama-se Es Molí, um restaurante com um nome tão despretensioso quanto o lugar onde fica:  San Telm – ou San Telmo, ou Sant Elm, dependendo da placa – na ilha de Maiorca, no Mediterrâneo.

San Telm

As águas cristalinas de San Telm

Os alemães costumam dizer que Maiorca já é praticamente o 17° estado alemão, uma alusão à quantidade absurda de turistas alemães que invadem a ilha diariamente. É compreensível, Maiorca é um destino agradável e de fácil acesso, a apenas uma hora e meia de voo, com passagens baratas, praias e passeios belíssimos e gente alegre. Os alemães gostam tanto de Maiorca que alguns até emigraram para lá, como o nosso amigo Mathias Günter, que abriu sua escola e operadora de mergulho em San Telm, esse lugar privilegiado, longe da baderna turística, onde a única linha de ônibus que circula deixa uns poucos turistas e faz a curva de volta à chamada “civilização”. É para esse lugar que nós fugimos de vez em quando, à procura de descanso. E é ali, em frente ao ponto final do ônibus e à escola do Mathias (Scuba Activa), que há cerca de dois anos um grupo de gente teve a feliz ideia de reformar a casa e abrir um novo restaurante no velho moinho.

Na nossa primeira noite, entramos no restaurante por dois motivos: preguiça e curiosidade. Preguiça porque já era tarde, tínhamos acabado de chegar, carregando malas e equipamento de mergulho, queríamos jantar e era o lugar mais próximo, quase dobrando a esquina. Curiosidade porque ficamos surpresos com o novo visual do lugar.

Es Molí

A entrada do Es Molí.

Conhecíamos o antigo restaurante, um lugar simples, com comida gostosa, mas nada diferente dos outros que existem em San Telm. Agora, as mesas no jardim tinham um design moderno, a iluminação era outra, tudo estava diferente.

Achamos que tinham transformado o restaurante num lugar caro e afetado, como tantos na ilha, mas totalmente fora do contexto da cidadezinha. Fomos conferir o cardápio e – supresa! – os preços eram razoáveis e a descrição dos pratos apetitosa. Entramos e a surpresa foi melhor ainda. Decorado em tons de terra, cinza e branco, o lugar consegue ser elegante, mas também confortável e aconchegante. As mesas bem postas, a iluminação bem bolada e o pessoal atencioso fizeram com que nos sentíssemos imediatamente à vontade. Uma pequena entrada oferecida pela casa já deixou entrever que a cozinha tinha boas intenções com a gente.  Pedimos um prato de carnes grelhadas para dois que não ficou em nada a dever aos melhores churrasqueiros do Brasil e o vinho recomendado pela moça que nos atendeu era perfeito! E me arrependo de já não ter pedido naquela noite uma das saborosas sobremesas que só descobri nas outras visitas que fizemos.

Além do ambiente e da comida saborosa, o que nos fez voltar várias vezes ao Es Molí foi, principalmente, o atendimento. Sou carioca, sempre preferi os lugares onde posso entrar de havaianas às casas requintadas e esnobes, onde você mal tem tempo de esvaziar o copo e lá vem um garçom com a garrafa na mão para servir. Em lugares assim, tenho a sensação de estar sendo constantemente observada e não me sinto em casa.

Pessoal do Es Molí

Marta, José e o mago da cozinha, Juan.

No Es Molí, eles dominam a arte de encontrar o momento certo para perguntar se você deseja mais alguma coisa. Você pode comer à vontade, experimentar o prato do seu acompanhante, terminar de contar sua história sem alguém em pé ao lado para ouvi-la, recostar-se na cadeira enquanto o vinho desce e se acomoda no estômago, e se esquecer da vida. Quando precisar, basta um olhar e logo alguém vem atender, sempre com um sorriso agradável (e uma santa paciência com o nosso espanhol ridículo).

Aliás, a questão da língua daria um outro post, já que, embora a língua oficial seja o espanhol ou catalão, o que se fala na ilha é mallorquí . Mas isso, a operadora do Mathias e os alemães na ilha são história para mais tarde.

Enfim, se um dia você, leitor, for parar nesse maravilhoso cantinho do mundo que é San Telm, não deixe de entrar no Es Molí. Se você der sorte, vai encontrar um tataky de atún rojo no cardápio. Não perca! E mesmo se já estiver satisfeito, peça o sorbet de limão com vodca, ou (alô, meninas!) o brownie com sorvete. Sua dieta vai para o brejo, mas a alma agradece.

E nós também agradecemos à turma do Es Molí, por ter tornado nossos dias em San Telm ainda melhores. Gràcies!

Fiat Molí

Até o carro do Es Molí combina com o design.

Interior do Es Molí.

O interior do Es Molí: elegância simples.

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