Arquivo do mês: fevereiro 2012

Censura no Houaiss na Internet

Vim aqui rapidinho para indicar a leitura do artigo “Santa Ignorância” no blogue do Danilo.

O Houaiss não está disponibilizando o significado de certas palavras consideradas politicamente incorretas (veja o motivo aqui) na Internet.

Essa ignorância não pode passar em branco. Divulgue você também!

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Ave TM cheia de graça…

Disse isso para a Bete hoje, mas já venho pensando nisso faz um tempo. Se escrevêssemos os conteúdos das nossas longas conversas por FaceTime ou Skype, publicaríamos vários artigos por mês. O conteúdo desse artigo é fruto de uma dessas conversas.

Quem trabalha para agências de tradução no exterior e no país se depara com vários tipos de problemas. Um desses problemas é a questão da santa e toda poderosa TM fornecida pelo cliente.

Na opinião do cliente, a sua santa TM contém todo o conhecimento necessário para a produção da melhor tradução já feita até hoje. Veja bem, na opinião dele. É claro que existem TMs muito boas, já tive o prazer de trabalhar com várias e aprendi muito com esses trabalhos, mas também tem “aquelas”…

É sempre uma faca de dois legumes. Num certo momento da tradução, vem aquele termo “cabeludo”, “mucho loco” e que parece mais um alienígena do que um termo técnico. Como num filme, vem à sua mente aquela cena que está para acontecer. Você escrevendo para o cliente – “Olha, tem esse termo aqui assim, assado, não dá para usar porque não está correto” e mesmo depois de argumentar muito, você vai escutar aquela famosa frase dita por vários coordenadores como se tivessem ensaiado para uma peça de teatro – “os tradutores devem usar os termos contidos na TM”. Pronto! E agora? Compactuar ou não com o crime?

Não compactuar com o crime diante de uma negativa de modificação na tradução pronta do cliente, é dizer que não vou fazer o trabalho e ele que procure outro tradutor que aceite usar aquela TM. Mas como fica a questão das contas para pagar? Nem sempre é possível fazer isso e somos obrigados a compactuar com essa situação. É algo realmente difícil…

Também existem os clientes flexíveis, que permitem modificar a tradução na TM, e contribuem para evitar um infarto no seu miocárdio. Você não precisa mais imaginar o seu nome numa tradução cheia de erros. “E se alguém ver isso?! GOTT!!!”

Grande parte dos leitores desse blog é formada por tradutores profissionais e já devem ter passado por isso. Aqueles que não são ou serão num futuro próximo, aguardem, a sua vez chegará e não estou jogando praga em ninguém. É fato, vai acontecer com você também.

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Inteligência seletiva, ou complicando o que já não era fácil

A língua alemã tem fama de ser exata. O mito de que “só é possível filosofar em alemão” continua assombrando muita gente por aí, não só na canção do Caetano. De minha parte, estou convencida de que nem mesmo a matemática é tão exata quanto parece, 2 + 2 nem sempre será 4, que dirá o alemão expressar tudo sem deixar sombra de dúvida. Querem um exemplo?

No lugar onde eu trabalho, há uma pequena cozinha no andar, com geladeira, pia, máquina de café e a infalível lata de lixo com coleta seletiva. Nela , há três compartimentos: um para embalagens (Verpackungen), outro para lixo orgânico (Biomüll) e um que leva o nome aparentemente bem prático de Restmüll, o que seria o “lixo restante”, traduzindo literalmente. Parece lógico, não é? Mas vejam só: todos os dias, para colocar o meu motor em funcionamento, minha primeira providência é tomar um café, um expresso duplo, para ser mais exata. Quando a máquina termina de encher a xícara com o meu combustível, eu abro um saquinho de açúcar e jogo metade do conteúdo na xícara. Na hora de abrir a lata de lixo e jogar fora o resto, vem a dúvida: para qual compartimento vai o saquinho? Jogo o resto do açúcar no lixo orgânico e o saquinho nas embalagens? Ou jogo tudo no “resto de lixo”?

Coleta seletiva: pense bem antes de abrir!

Pode parecer banal, mas é um desafio começar o dia com uma pergunta dessas, antes mesmo do primeiro gole de café! E acho que não sou a única, pois ao abrir a lata, sempre encontro os saquinhos azuis espalhados por todos os compartimentos. Afinal, o saquinho é embalagem, portanto, não deveria estar no “resto”. Mas se eu jogo apenas o açúcar no Biomüll, a menina que faz a limpeza (a propósito, uma brasileira) certamente vai xingar a pobre da minha mãe, que não tem nada a ver com isso, por causa do fundo caramelizado que se cria na lata de lixo. Pois, como todo mundo sabe, os alemães são muito consequentes (outro mito, mas ainda não virou música), por isso nossa lata de lixo seletiva não é forrada com sacos plásticos, senão não seria assim tão seletiva.

Os saquinhos na lata da discórdia.

O que nos leva de volta a essa língua tão exata: o que vem a ser exatamente “Restmüll”? Existem verdadeiras enciclopédias sobre a coleta de lixo na Alemanha e há nomes para tudo. Oficialmente, “Restmüll” é tudo o que não pode ser reciclado. Mas as listas de exemplos citados em vários sites de prefeituras e órgãos público, em vez de esclarecer, confundem ainda mais. Uma delas cita, por exemplo, produtos têxteis sujos. Ora, a máquina de lavar não recicla isso?

Eu resolvi simplificar minha vida, pelo menos nesse aspecto, e interpreto Restmüll simplesmente como “resto”, tudo o que sobra vai para ali. Não é embalagem? Não é orgânico? Restmüll! É um pouquinho de cada um? Restmüll! É uma coisa na qual ninguém pensou quando inventaram a lata de lixo maquiavélica? Restmüll! Confesso que às vezes tenho um receio paranóico de ser pega jogando o saquinho no lugar errado. Mas, querem saber de uma coisa? Se um dia reclamarem, vou começar uma discussão sobre o verdadeiro significado da palavra “resto” e sou capaz de apostar que ficaremos ali olhando pensativos para aquela lata de lixo, sem resposta definitiva para as grandes questões do universo. E se os alemães querem mesmo tudo nos lugares certos, eles que inventem uma palavra melhor. Afinal, essa língua é ou não é tão exata?

PS: Falando em maneiras complicadas de começar o dia na Alemanha, a Ligia Fascioni escreveu há tempos um artigo no seu blog que vale a pena ler. Passe lá, clicando aqui.

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II Conferência Internacional de Tradução da BDÜ

A associação alemã de tradutores e intérpretes, BDÜ (Bundesverband der Dolmetscher und Übersetzer ), realiza sua segunda conferência internacional de 28 a 30 de setembro deste ano, em Berlim.  As inscrições já estão abertas e a programação pode ser vista no site http://www.uebersetzen-in-die-zukunft.de/.

Sob o título de Übersetzen in die Zukunft, ou Interpreting the Future, o evento pretende abordar temas importantes para o futuro de nossa atividade profissional, com palestras e workshops variados, abordando aspectos como especialização, tradução jurídica, interpretação em tribunais, ferramentas, técnicas de tradução, interculturalidade, tradução e mídia, gestão de projetos, contratos, tradução literária, postura profissional e muito mais.

Acompanhando o congresso, haverá uma feira com estandes de empresas do setor e uma bolsa de empregos e contatos.

A julgar pela primeira conferência, a procura vai ser grande: realizada em 2009, também em Berlim, ela contou com a participação de mais de 1.600 profissionais da área, vindos de mais de 40 países.

Eu já reservei as datas e pretendo estar lá. E você?

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Preferências sexuais do alemão

Com esse título, esse artigo vai bombar! Mas podem ir tirando o cavalinho da chuva (ou da neve, que não nos dá uma trégua por aqui): não esperem de mim dicas sexuais que eu não sou nenhuma Beate Uhse, apesar da semelhança do nome. Minha intenção hoje é chamar a atenção de vocês para um blog maravilhoso que a Ligia Fascioni escreve e recomendar que comecem por esse artigo: “Sexo alemão“.

A Ligia mudou-se para Berlim no ano passado e nesse artigo ela nos presenteia com uma das descrições mais bem-humoradas que já li das agruras de quem está aprendendo o alemão.  Aposto que depois da leitura vocês vão querer mais. Além de ser uma delícia de leitura, o blog é bonito e muito informativo. Entrou para a minha lista de recomendações aí ao lado e tão cedo não sai mais.

A propósito, se você nunca ouviu falar da Beate Uhse, aproveite para conhecer a história peculiar dessa mulher que iniciou uma verdadeira revolução sexual na Alemanha do pós-guerra. Leia o artigo na Wikipedia aqui.

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Chutando bem

A época das tardes na biblioteca, consultando dicionários, livros e enciclopédias, com uma lista de termos e dúvidas anotados durante a tradução de um texto pela manhã, ficou para trás, ainda bem. Não que eu não goste de bibliotecas, pelo contrário. Mas convenhamos que nenhum de nós sonha em abrir mão do conforto e da rapidez que a internet nos proporciona.

O que não mudou é que, ontem como hoje, tradutor que se preza, quando em dúvida, sempre consulta. Faz uma busca no google, confere a palavra no dicionário ou pergunta a alguém que entenda mais do assunto do que ele. E ficou tão mais fácil encontrar respostas para as nossas perguntas que ficamos mal acostumados. Queremos resposta para tudo e de preferência para ontem.

Acontece que ainda há situações que não permitem isso. Quem é intérprete, já deve ter passado por momentos em que apareceu aquela expressão que não estava na terminologia estudada, ou em que o cérebro resolveu provar que você pode até mandar muito, menos nele. Nessas horas, nem tudo está perdido.

Eu sou mergulhadora e aprendi debaixo d’água talvez a mais importante regra de sobrevivência em qualquer situação: continue respirando! Seu cérebro precisa de oxigênio para continuar funcionando e você vai precisar dele para fazer o que é necessário nessas horas: chutar. Mas chutar bem! 

Chutar bem é uma arte. Você precisa saber para onde e como está chutando, para ter uma chance de acertar, pelo menos, na trave. Traduzindo, ou interpretando, isso significa que você precisa entender muito bem o contexto e a língua de partida para ter uma noção do que está sendo dito e do que aquela palavra pode significar.

Quando estou fazendo uma interpretação consecutiva e perco alguma coisa, ou sai um daqueles termos de novíssima tecnologia, vestido de branco para me assombrar, eu respiro e me concentro no resto. O que ainda vão falar pela frente pode servir de ajuda. E, afinal, na consecutiva você tem a vantagem de poder até pedir que a pessoa explique melhor o que disse, antes de fazer a sua parte. Se você não conhece o termo, poderá ao menos explicar o que é.

A simultânea, que estou tentando aprender no momento e por cujos colegas tenho um enorme respeito, é um mergulho ainda mais profundo, pois tudo é muito rápido. Talvez seu parceiro de cabine possa ajudar (no curso, ainda somos lutadores solitários, ninguém por perto). Talvez você seja tão “multitasking” que até consiga procurar a palavra no laptop paralelamente e encaixá-la lá na frente (eu ainda estou ocupada demais ouvindo e formulando frases para conseguir usar o teclado). Mas se você estiver bem concentrado, acompanhando bem a matéria, é bem capaz que o chute saia sem você nem perceber. Isso me aconteceu outro dia durante a aula e, sinceramente, nem me lembro mais da palavra. Só me lembro da sensação de ter falado uma grande besteira e do alívio quando a continuação da palestra confirmou o que o instinto no pé já tinha mandado para a frente – logo eu, que sou péssima com qualquer tipo de jogo de bola.

Um bom exercício para treinar chute ao gol é ler sem o auxílio de dicionários, seja na língua estrangeira ou na própria língua. Adquiri essa mania na infância. Por pura preguiça de procurar as palavras, preferia ler sem parar, sublinhando o que não entendia bem, mesmo sob o risco de não entender todo o texto. Depois ia procurar as palavras e era uma alegria ver que estava certa em algumas suposições. Mas melhor ainda era descobrir onde tinha me enganado, o que abria meus olhos para novas leituras.

Não quero, de forma alguma, fazer aqui a apologia da imprecisão. Pelo contrário, nosso compromisso como tradutores e intérpretes é com a máxima precisão possível, a língua é nosso instrumento de trabalho e com isso não se brinca. Mas acho que não devemos esquecer do que nos fez chegar aqui – aquele prazer que nos fazia inventar palavras na outra língua, só porque o som parecia estar certo, lembram?  Tão importante quanto querer acertar é também não ter medo de errar e aprender como correr riscos, para que a queda não seja muito dolorida. O medo da imperfeição é paralisante. Já acertar na trave, às vezes, é quase como um golaço.

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Que tal trabalhar com estabilidade?

Não estou falando de estabilidade de carreira.

Não é segredo para ninguém que me conhece que sou macmaníaco. Tenho quase tudo da marca da maçã mordida e digo que é mesmo muito melhor do que a marca da janelinha colorida. Discurso tanto sobre as vantagens de ter um MAC que até consegui convencer a Bete a adquirir um cérebro eletrônico desses e, segundo tenho ouvido dela, a minha amiga está muito feliz com o desempenho do seu novo computador.

Resolvi começar a postar um ou outro artigo sobre essa tecnologia, pois estou muito convencido de que é um ótimo sistema operacional e hardware para tradutores. A estabilidade do sistema é a sua maior vantagem.

Desde que estou trabalhando com o meu MAC, nunca mais utilizei o termo “deu pau”, nunca mais perdi trabalho por ele “travar” e eu ter de desligar tudo para a máquina funcionar novamente. O que mais me encantou foi o silêncio ao trabalhar com o computador. Odeio máquina que fica com a ventoinha ligada, parecendo turbina de avião.

Mas sou mais um entusiasta dessa tecnologia do que um nerd tecnológico. Sofri bastante no começo, pois, como disse o criador do Linux, o sistema operacional está instalado na cabeça das pessoas e reaprender a trabalhar com outro sistema é duro no começo, mas depois tive as compensações.

Bem, mesmo tendo um MAC, eu também preciso do Windows instalado no computador, pois todas as ferramentas de tradução e os dicionários em software que uso funcionam somente dentro do ambiente do Windows. Uma pena! Talvez um dia isso acabe.

Mas aí você se pergunta – por que preciso de um computador trabalhando com dois sistemas operacionais diferentes? E eu respondo – porque o sistema operacional principal é o sistema da maçã que é muito mais estável do que o sistema da janelinha. Como o Windows trabalha “dentro” do MAC, ele corre muito menos risco de “travar”. E essa é uma das vantagens. Outra vantagem é que não existe vírus para MAC e o seu computador não vai apanhar “uma doença” ao andar pelo mundo internético.

Teve algum contratempo? Sim, tive. O meu maior problema foi com a configuração do Parallels (software que cria um ambiente virtual para rodar o Windows). Eu não sabia que é possível atribuir mais memória RAM a um ou outro sistema operacional para otimizar o funcionamento durante o trabalho.

Fui atrás de resolver o problema e descobri que essa configuração é feita dentro do Parallels, no menu “Máquina Virtual”. Para quem se interessar, na página do Parallels, em downloads, é possível baixar o User Guide da versão 7 e configurar o sistema.

Por hoje chega, mas aos poucos vou postando um ou outro artigo sobre isso.

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Sobre traduções urgentíssimas e pedidos de “socorro”

A Bete já andou falando aqui sobre a questão das cobranças de taxas de urgência. Essa é uma discussão que dá muito pano para manga e tem vários artigos escritos sobre o assunto nos blogs dos colegas e no nosso também.  🙂

Eu quero colocar agora a questão que vem depois do tradutor ou da tradutora ter acertado (ou não) uma taxa com o cliente. Aquele mesmo cliente que ligou desesperado dizendo que o mundo irá acabar, que a empresa irá falir, que a terceira guerra mundial irá começar, enfim que qualquer catástrofe de proporções gigantescas irá acontecer se você não entregar a tradução naquele dia e naquela hora.

Vejam bem, não estou discutindo a questão da famosa “deadline”. Quem está na estrada faz um tempo, também sabe que os coordenadores de projeto trabalham sempre com prazos apertados e calculam sempre uma margem de tempo (os coordenadores que sabem trabalhar!) para o caso de REALMENTE acontecer algo.

Pois estou aqui para dar minha cara a tapa e dizer que caí no “conto do vigário“. Dia desses me liga uma infeliz dessas, fazendo o “discurso da catástrofe” (caí no tal conto porque trabalho faz tempo com a empresa e não acreditei que fossem fazer isso comigo. Fui muito ingênuo), e pedindo para entregar no tal dia porque senão blá, blá, blá…

No meu caso não tinha urgência, mas um pedido para “encaixar” a tradução entre os projetos. Já tinha muito trabalho, mas como é cliente antigo aceitei e entreguei a tradução na data combinada porque o documento tinha de ser entregue “vermeintlich” (supostamente) naquele mesmo dia. Como naquelas cenas de filmes (4 dias depois…), a danada me liga dizendo que estava revisando o texto e tinha uma pergunta a fazer sobre algo. Eu prontamente perguntei porque ela estava ligando agora se a tradução tinha de ser entregue 4 dias atrás e ela me respondeu que o cliente tinha estendido o prazo (só eu não fiquei sabendo dessa) e que não tinha tanta pressa mais.

O que quero dizer é que, como se diz em alemão “im Eifer des Gefechts”, na pressa, (porque está com algo para fazer ou qualquer outro fator), você acaba aceitando o trabalho, inclusive porque é cliente antigo, como no meu caso. Mas não se irrite ao cair nesse “conto do vigário”. Estamos todos sujeitos a isso.

PS da Bete: Essa beleza de tira que o André publicou aí no topo, para quem ainda não sabe, é trabalho do colega tradutor Alejandro Moreno-Ramos, que há anos nos brinda com seu genial Mox’s Blog. Tudo o que você sempre soube sobre a nossa vida de tradutor, mas não sabia como explicar, está lá. Não perca!

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Rápidos no gatilho! Mas quem acerta o alvo?

O André deu a partida e eu resolvi me animar também e voltar ao blog. Há montes de rascunhos aqui, esperando ser editados, portanto, mãos à obra!

Dizem que há momentos em que tudo no universo conspira para levar você por um determinado caminho. Parece que o meu caminho dessa semana é o tema “urgência e produtividade”. Bateu o sininho aí também?

Foram três consultas urgentes em menos de uma semana. Completando o quadro, há poucos dias li no blog do Danilo Nogueira um artigo interessante sobre a suposta lentidão dos tradutores (acompanhem lá que vem mais por aí) e segui numa das listas de tradutores uma pequena discussão sobre taxa de urgência e volume de trabalho. É ou não é o universo conspirando? Então vamos lá!

Devemos cobrar taxa de urgência? O que é urgente? O que é ser rápido? O que é muito, ou pouco volume de trabalho? Bem, é apenas minha opinião pessoal e imagino que cada um de vocês tenha a sua própria, mas acredito que só há uma resposta para todas essas perguntas: depende!

Por exemplo, o colega que fez a pergunta na tal lista tinha recebido uma proposta de 600 e tantas palavras para o dia seguinte e queria saber como cobrar taxa de urgência. Recebeu todo tipo de resposta, muitas dizendo que não se cobra urgência por 600 palavras, pois a produtividade média de um tradutor profissional estaria entre 1500 e 3000 palavras por dia. Mas eu me pergunto: que tipo de 600 palavras eram essas? Um tema fácil, que o tradutor domina, vindo de um cliente antigo e bem redigidas? Ou um daqueles textos escritos em inglês incompreensível por alguém que se diz “craque” na língua? Ou ainda um texto mirabolante, escrito num rompante criativo por algum redator técnico cansado de descrever sempre a mesma máquina? Um bom texto de propaganda, por exemplo, pode ter 20 a 30 palavras e exigir um dia inteiro de reflexão para encontrar um correspondente à altura na outra língua. Lembro de uma tradutora de literatura que me contou uma vez que às vezes ficava dias com uma determinada frase na cabeça, até encontrar a solução ideal quando menos esperava – descascando batatas, por exemplo.  Em casos assim, 600 palavras podem ser muito. E entregá-las no dia seguinte, para mim, é urgência. E cumprir esse prazo é ser rápido, muito rápido! Principalmente se você conseguir entregar um resultado decente, acertando na mosca.

Devemos cobrar por isso? Bem, o meu depende tem uma regra: qualquer assalariado, em empresa que se preze, recebe por hora extra e trabalho noturno, ou no fim de semana – se não for em dinheiro, pelo menos com algum tipo de compensação, como dias livres. Eu sigo a mesma regra. Se o serviço puder ser feito no horário normal de funcionamento do meu escritório (até as 19 horas, vejam só como eu sou generosa), não cobro. Mas se tiver que trabalhar à noite, ou no fim de semana, cobro.  Posso estar errada, mas é a minha maneira de lidar com meus clientes e tem funcionado para mim.

Das três consultas urgentes nos últimos dias, uma era para o fim de semana. Poderia ter aceitado e cobrado urgência, o próprio cliente fez essa proposta (cliente bom, não é?). Mas o programa nesse fim de semana é rever minha irmã, que não vejo há meses. Nesse caso, sinto muito, não há dinheiro que pague. Resolvi o problema do cliente dando o contato de um colega que já disse estar disponível. Essa também é uma solução, até muito boa. Como eu disse. Tudo depende.

A propósito, esse texto tem 600 e poucas palavras. Levei cerca de uma hora para escrevê-lo, com algumas interrupções. Isso é rápido?

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“Eu si vesti e…”

Todos nós sabemos das dificuldades na nossa língua materna e, mais ainda, das dificuldades nos idiomas estrangeiros. A foto acima ilustra bem o que acontece quando o nível de conhecimento do idioma não basta para um diálogo. Surge um diálogo desses, como dizia minha avó, parece doido conversando. No caso ilustrado acima vemos que é um estrangeiro em terras anglófonas, seja ela qual for.

Mas e quando o nosso próprio povo anda muito mal das pernas na própria língua materna? Minhas fontes de pesquisas são os comentários escritos por vários leitores, em vários sites na Internet como jornais on-line (são os piores), blogs e outros sites. Ao contrário dos comentários que tenho lido em e-mails que circulam pelo mundo internético sobre tais erros cometidos por esses leitores, eu não me irrito, mas me dá uma tristeza muito grande! Onde vamos parar se não sabemos ler e escrever corretamente? A nossa nação vai tornar-se um país de ignorantes em todos os sentidos! Pior ainda foi o comentário que encontrei no blog de um colega dia desses, onde a pessoa dizia cursar pós-graduação em alguma área de letras, não me lembro mais qual era, numa universidade federal e escreveu a seguinte palavra no seu texto – “começei”!!!!!! Fora outros tantos erros que fiz questão de esquecer, tamanha a minha perplexidade. Pós-graduação em universidade federal!!!! Isso é muito triste mesmo.

O governo federal, na melhor das intenções (sem ironia), está implementando um programa de bolsas de estudo para que pessoas de baixa renda consigam estudar, mesmo que seja nas famosas “Faculdades FaFiFo” ou nas “Uni-Esquinas” da vida, como diz um bom amigo meu. Esse pessoal vai terminar os estudos e cair no mercado de trabalho, para depois sair rapidamente também porque nenhum empregador vai suportar um funcionário que não consiga escrever um e-mail, ou uma carta, ou um aviso, seja o que for, corretamente. E quem não consegue ler e escrever corretamente, tampouco consegue refletir sobre a própria condição e o ambiente ao seu redor, como já dizia Paulo Freire. É assustador!

E para terminar deixo o seguinte comentário:

Tem cliente pedindo para baixar o preço. Da próxima vez, vou perguntar se ele ou ela sabe quantos compatrícios sabem ler e escrever corretamente e, mais que isso, sabem alemão (ou qualquer outro idioma estrangeiro muito bem), sabem traduzir e trabalhar com tantas ferramentas de tradução.

Como diz um colega, não devemos justificar nossos preços, mas esse argumento seguramente seria, como dizemos em alemão, “schlagkräftig”, um argumento de peso! O que vocês acham?

ps: quem sabe um dia alguém faça um cartaz como esse acima, ilustrando a dificuldade de falar e entender o nosso querido idioma. Alguém tem uma ideia?

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