Arquivo do autor:André Henrique

Censura no Houaiss na Internet

Vim aqui rapidinho para indicar a leitura do artigo “Santa Ignorância” no blogue do Danilo.

O Houaiss não está disponibilizando o significado de certas palavras consideradas politicamente incorretas (veja o motivo aqui) na Internet.

Essa ignorância não pode passar em branco. Divulgue você também!

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Ave TM cheia de graça…

Disse isso para a Bete hoje, mas já venho pensando nisso faz um tempo. Se escrevêssemos os conteúdos das nossas longas conversas por FaceTime ou Skype, publicaríamos vários artigos por mês. O conteúdo desse artigo é fruto de uma dessas conversas.

Quem trabalha para agências de tradução no exterior e no país se depara com vários tipos de problemas. Um desses problemas é a questão da santa e toda poderosa TM fornecida pelo cliente.

Na opinião do cliente, a sua santa TM contém todo o conhecimento necessário para a produção da melhor tradução já feita até hoje. Veja bem, na opinião dele. É claro que existem TMs muito boas, já tive o prazer de trabalhar com várias e aprendi muito com esses trabalhos, mas também tem “aquelas”…

É sempre uma faca de dois legumes. Num certo momento da tradução, vem aquele termo “cabeludo”, “mucho loco” e que parece mais um alienígena do que um termo técnico. Como num filme, vem à sua mente aquela cena que está para acontecer. Você escrevendo para o cliente – “Olha, tem esse termo aqui assim, assado, não dá para usar porque não está correto” e mesmo depois de argumentar muito, você vai escutar aquela famosa frase dita por vários coordenadores como se tivessem ensaiado para uma peça de teatro – “os tradutores devem usar os termos contidos na TM”. Pronto! E agora? Compactuar ou não com o crime?

Não compactuar com o crime diante de uma negativa de modificação na tradução pronta do cliente, é dizer que não vou fazer o trabalho e ele que procure outro tradutor que aceite usar aquela TM. Mas como fica a questão das contas para pagar? Nem sempre é possível fazer isso e somos obrigados a compactuar com essa situação. É algo realmente difícil…

Também existem os clientes flexíveis, que permitem modificar a tradução na TM, e contribuem para evitar um infarto no seu miocárdio. Você não precisa mais imaginar o seu nome numa tradução cheia de erros. “E se alguém ver isso?! GOTT!!!”

Grande parte dos leitores desse blog é formada por tradutores profissionais e já devem ter passado por isso. Aqueles que não são ou serão num futuro próximo, aguardem, a sua vez chegará e não estou jogando praga em ninguém. É fato, vai acontecer com você também.

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Que tal trabalhar com estabilidade?

Não estou falando de estabilidade de carreira.

Não é segredo para ninguém que me conhece que sou macmaníaco. Tenho quase tudo da marca da maçã mordida e digo que é mesmo muito melhor do que a marca da janelinha colorida. Discurso tanto sobre as vantagens de ter um MAC que até consegui convencer a Bete a adquirir um cérebro eletrônico desses e, segundo tenho ouvido dela, a minha amiga está muito feliz com o desempenho do seu novo computador.

Resolvi começar a postar um ou outro artigo sobre essa tecnologia, pois estou muito convencido de que é um ótimo sistema operacional e hardware para tradutores. A estabilidade do sistema é a sua maior vantagem.

Desde que estou trabalhando com o meu MAC, nunca mais utilizei o termo “deu pau”, nunca mais perdi trabalho por ele “travar” e eu ter de desligar tudo para a máquina funcionar novamente. O que mais me encantou foi o silêncio ao trabalhar com o computador. Odeio máquina que fica com a ventoinha ligada, parecendo turbina de avião.

Mas sou mais um entusiasta dessa tecnologia do que um nerd tecnológico. Sofri bastante no começo, pois, como disse o criador do Linux, o sistema operacional está instalado na cabeça das pessoas e reaprender a trabalhar com outro sistema é duro no começo, mas depois tive as compensações.

Bem, mesmo tendo um MAC, eu também preciso do Windows instalado no computador, pois todas as ferramentas de tradução e os dicionários em software que uso funcionam somente dentro do ambiente do Windows. Uma pena! Talvez um dia isso acabe.

Mas aí você se pergunta – por que preciso de um computador trabalhando com dois sistemas operacionais diferentes? E eu respondo – porque o sistema operacional principal é o sistema da maçã que é muito mais estável do que o sistema da janelinha. Como o Windows trabalha “dentro” do MAC, ele corre muito menos risco de “travar”. E essa é uma das vantagens. Outra vantagem é que não existe vírus para MAC e o seu computador não vai apanhar “uma doença” ao andar pelo mundo internético.

Teve algum contratempo? Sim, tive. O meu maior problema foi com a configuração do Parallels (software que cria um ambiente virtual para rodar o Windows). Eu não sabia que é possível atribuir mais memória RAM a um ou outro sistema operacional para otimizar o funcionamento durante o trabalho.

Fui atrás de resolver o problema e descobri que essa configuração é feita dentro do Parallels, no menu “Máquina Virtual”. Para quem se interessar, na página do Parallels, em downloads, é possível baixar o User Guide da versão 7 e configurar o sistema.

Por hoje chega, mas aos poucos vou postando um ou outro artigo sobre isso.

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Sobre traduções urgentíssimas e pedidos de “socorro”

A Bete já andou falando aqui sobre a questão das cobranças de taxas de urgência. Essa é uma discussão que dá muito pano para manga e tem vários artigos escritos sobre o assunto nos blogs dos colegas e no nosso também.  🙂

Eu quero colocar agora a questão que vem depois do tradutor ou da tradutora ter acertado (ou não) uma taxa com o cliente. Aquele mesmo cliente que ligou desesperado dizendo que o mundo irá acabar, que a empresa irá falir, que a terceira guerra mundial irá começar, enfim que qualquer catástrofe de proporções gigantescas irá acontecer se você não entregar a tradução naquele dia e naquela hora.

Vejam bem, não estou discutindo a questão da famosa “deadline”. Quem está na estrada faz um tempo, também sabe que os coordenadores de projeto trabalham sempre com prazos apertados e calculam sempre uma margem de tempo (os coordenadores que sabem trabalhar!) para o caso de REALMENTE acontecer algo.

Pois estou aqui para dar minha cara a tapa e dizer que caí no “conto do vigário“. Dia desses me liga uma infeliz dessas, fazendo o “discurso da catástrofe” (caí no tal conto porque trabalho faz tempo com a empresa e não acreditei que fossem fazer isso comigo. Fui muito ingênuo), e pedindo para entregar no tal dia porque senão blá, blá, blá…

No meu caso não tinha urgência, mas um pedido para “encaixar” a tradução entre os projetos. Já tinha muito trabalho, mas como é cliente antigo aceitei e entreguei a tradução na data combinada porque o documento tinha de ser entregue “vermeintlich” (supostamente) naquele mesmo dia. Como naquelas cenas de filmes (4 dias depois…), a danada me liga dizendo que estava revisando o texto e tinha uma pergunta a fazer sobre algo. Eu prontamente perguntei porque ela estava ligando agora se a tradução tinha de ser entregue 4 dias atrás e ela me respondeu que o cliente tinha estendido o prazo (só eu não fiquei sabendo dessa) e que não tinha tanta pressa mais.

O que quero dizer é que, como se diz em alemão “im Eifer des Gefechts”, na pressa, (porque está com algo para fazer ou qualquer outro fator), você acaba aceitando o trabalho, inclusive porque é cliente antigo, como no meu caso. Mas não se irrite ao cair nesse “conto do vigário”. Estamos todos sujeitos a isso.

PS da Bete: Essa beleza de tira que o André publicou aí no topo, para quem ainda não sabe, é trabalho do colega tradutor Alejandro Moreno-Ramos, que há anos nos brinda com seu genial Mox’s Blog. Tudo o que você sempre soube sobre a nossa vida de tradutor, mas não sabia como explicar, está lá. Não perca!

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“Eu si vesti e…”

Todos nós sabemos das dificuldades na nossa língua materna e, mais ainda, das dificuldades nos idiomas estrangeiros. A foto acima ilustra bem o que acontece quando o nível de conhecimento do idioma não basta para um diálogo. Surge um diálogo desses, como dizia minha avó, parece doido conversando. No caso ilustrado acima vemos que é um estrangeiro em terras anglófonas, seja ela qual for.

Mas e quando o nosso próprio povo anda muito mal das pernas na própria língua materna? Minhas fontes de pesquisas são os comentários escritos por vários leitores, em vários sites na Internet como jornais on-line (são os piores), blogs e outros sites. Ao contrário dos comentários que tenho lido em e-mails que circulam pelo mundo internético sobre tais erros cometidos por esses leitores, eu não me irrito, mas me dá uma tristeza muito grande! Onde vamos parar se não sabemos ler e escrever corretamente? A nossa nação vai tornar-se um país de ignorantes em todos os sentidos! Pior ainda foi o comentário que encontrei no blog de um colega dia desses, onde a pessoa dizia cursar pós-graduação em alguma área de letras, não me lembro mais qual era, numa universidade federal e escreveu a seguinte palavra no seu texto – “começei”!!!!!! Fora outros tantos erros que fiz questão de esquecer, tamanha a minha perplexidade. Pós-graduação em universidade federal!!!! Isso é muito triste mesmo.

O governo federal, na melhor das intenções (sem ironia), está implementando um programa de bolsas de estudo para que pessoas de baixa renda consigam estudar, mesmo que seja nas famosas “Faculdades FaFiFo” ou nas “Uni-Esquinas” da vida, como diz um bom amigo meu. Esse pessoal vai terminar os estudos e cair no mercado de trabalho, para depois sair rapidamente também porque nenhum empregador vai suportar um funcionário que não consiga escrever um e-mail, ou uma carta, ou um aviso, seja o que for, corretamente. E quem não consegue ler e escrever corretamente, tampouco consegue refletir sobre a própria condição e o ambiente ao seu redor, como já dizia Paulo Freire. É assustador!

E para terminar deixo o seguinte comentário:

Tem cliente pedindo para baixar o preço. Da próxima vez, vou perguntar se ele ou ela sabe quantos compatrícios sabem ler e escrever corretamente e, mais que isso, sabem alemão (ou qualquer outro idioma estrangeiro muito bem), sabem traduzir e trabalhar com tantas ferramentas de tradução.

Como diz um colega, não devemos justificar nossos preços, mas esse argumento seguramente seria, como dizemos em alemão, “schlagkräftig”, um argumento de peso! O que vocês acham?

ps: quem sabe um dia alguém faça um cartaz como esse acima, ilustrando a dificuldade de falar e entender o nosso querido idioma. Alguém tem uma ideia?

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“Seu Revisor” e a “Dona Revisora”

Essa semana aconteceu algo que me deixou perplexo. Tenho horror de revisor que faz revisão para mostrar trabalho. Tenho mais horror ainda de revisor acadêmico que diz “o termo traduzido não contém todo o sentido do termo do idioma de saída”. Lindo para uma tese ou trabalho de dissertação, mas a “Dona Revisora” ou o “Seu Revisor” esquecem que, mais que um termo técnico a ser traduzido, o termo serve para vender um produto.

A “Dona Revisora” queria me convencer de que o termo que pesquisei e encontrei aos milhares na Internet não carrega todo o sentido do termo técnico em alemão. A tradução proposta anteriormente tem 0 resultados em pesquisas internéticas, ou seja, alguém que queira comprar o produto tão bem desenvolvido e com tanta tecnologia não vai encontrá-lo em buscas on-line porque o termo técnico proposto pelo revisor não existe em português.

E aí eu me pergunto – quantas traduções foram feitas com base em muitas pesquisas e consultas e que saíram um outro texto por conta do “Seu Revisor” e da “Dona Revisora”?

Eu já cansei de ouvir falar em como uma tradução estava péssima ou outros comentários similares. Antes, quando comecei a traduzir, costumava eu também concordar com tais comentários. Hoje tenho um pouco mais de experiência e fico pensando que há mais alterações de texto que acontecem entre o computador do tradutor e o computador do revisor do que a vã opinião do leitor possa imaginar.

Só os envolvidos no trabalho podem saber onde é que aconteceu o erro.

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Lançamento do livro do Fabio M. Said

Oi pessoal!

Um lembrete. Não se esqueçam do lançamento do livro do Fabio Said neste fim de semana, dia 30 de abril. Pelo sumário é possível ter uma ideia do conteúdo do livro que vai tratar da tradução pelo seu lado prático, o que, pelo menos para mim, é mais interessante do que vários livros de teoria da tradução. Quem quiser saber mais sobre o lançamento e o livro clique aqui.

Abraços do André.

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HB-Männchen I

Quando estava bravo, meu pai costumava dizer “estou fulo da vida”. Era a expressão daquela época, fim dos anos 70, começo dos 80. Pois assim estou eu hoje.

Quando fui para a Alemanha, em Janeiro de 1996, ainda não tinha nem ideia do quanto as mulheres eram respeitadas e tinham o seu lugar na sociedade por lá, como continuam sendo e tendo (ainda que algumas amigas alemãs digam que não é bem assim). E devo ser sincero, também aprendi a respeitar mais ainda esse aspecto, pois cresci no meio de mulheres, já que em casa éramos 3 irmãos e a família: eu, minhas 2 irmãs, minha mãe e minha avó (meu pai era viajante e estava sempre fora). E, como se diz em alemão, eu era “o galo no cesto” (“der Hahn im Korb sein” – uma expressão usada para dizer que a pessoa é o único homem entre várias mulheres), sendo bastante bajulado pela minha avó e minha mãe (não preciso dizer o que minhas irmãs achavam disso…). Mas ainda assim me lembro que ajudava em certas tarefas da casa que meus amigos da escola não faziam.

Crescendo assim no meio delas, também aprendi a respeitá-las mais ainda e aprimorei esse respeito nos 13 anos que passei na Alemanha. Quando voltei ao Brasil, vi que muitos aspectos da sociedade tinham melhorado e que outros continuavam como antes. O desrespeito às mulheres é um destes aspectos que continua como antes, salvo algumas exceções.

Explico – minha namorada-esposa está tendo aulas de direção na Auto-Escola para perder o medo de conduzir e poder aproveitar melhor a vida dirigindo por Ribeirão Preto sem ter que depender do transporte público da cidade que, como em qualquer outra cidade brasileira, é muito ruim. Só que o instrutor dela, apesar de ser muito competente e estar conseguindo fazer com que ela perca o medo, não respeita os horários, desmarca as aulas quando bem entende, marca aula e não vem, deixando claro que, como ela é mulher, ela pode esperar e tem de aceitar as suas explicações.

Pois um dia desses, ele faltou, não avisou e quando foi questionado sobre não ter vindo dar aula à ela, deu uma desculpa qualquer e achou que ia ficar por isso mesmo. Ligou no outro dia antes das oito da manhã (!!!!) e queria marcar aula para ela. Eu, muito educadamente, soltei o verbo. Disse-lhe tudo que pensava, sendo interrompido por uns “ah, não é bem assim”, “você está interpretando mal”, “não, eu me enganei sobre o dia” e “mas eu vou repor esses minutos em falta”, entre outras frases com intenção de se desculpar. Depois dessa conversa espero que não aconteça nada mais, pois outro aspecto que tenho constatado é que eles respeitam mais quando um homem fala do outro lado da linha.

A Bete me contou sobre um comercial de cigarros na Alemanha que passava antes de eu botar meus pés por lá e disse que eu devo parecer com o tal homenzinho, HB-Männchen, quando estou nervoso. Pois pareço mesmo, só que me seguro, pois isso de “dar piti” e “fazer barraco” gasta muita energia. Mas é mesmo um absurdo o quanto eles vão desrespeitando e mais, e mais, até que a pessoa fica brava e começa uma discussão, pois não aguenta mais “tanta folgação”.

E aqui começo a falar das exceções que são respeitadas no Brasil, as mulheres que são ouvidas. Costumam ser as tais “barraqueiras” ou aquelas que ficam bravas e não deixam as faltas de respeito passarem despercebidas. Aí os homens latino-americanos começam a tratá-las melhor e suas palavras são ordens. Me lembro da minha irmã que mudou bastante e não permitiu que fizessem isso com ela nunca mais, tornando-se uma “barraqueira”, mas a verdade é que se elas não adotam essa posição, nunca são ouvidas. Há outros meios também, no entanto, tenho constatado que esse é o mais eficaz (para não falar de uma amiga que é delegada e quando a tratam mal, ela sabe muito bem o que fazer). Infelizmente é assim, pois realmente custa muita energia, nervos e mal-estar. É o preço a se pagar para ser respeitada.

Imagino certas amigas alemãs passando uma situação destas. Tenho certeza que elas fariam “picadinho” do sujeito.

Espero que isso mude um dia, enquanto eu ainda esteja neste mundo para poder presenciar.

Vou ficando por aqui.

Abraços do André

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Curso no CITRAT

O CITRAT estará oferecendo de 12.04 a 24.05 um curso sobre novas tecnologias aplicadas à tradução.

Nunca tive a oportunidade de fazer um curso lá, mas a USP é uma instituição de respeito, então creio que deva valer a pena. Quem quiser saber mais, clique aqui.

Também agradeço se alguém, que tiver feito cursos lá, fizer comentários aqui no blog.

Escreveu o André

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O calote

Fala o André

Esta semana me deparei com uma situação que até o momento só havia ouvido falar por terceiros – “alguém me contou uma vez que tinha um amigo que levou um calote”. E eu pensava “bem, coitado dele, ainda bem que nunca aconteceu comigo…”. Pois bem, esse dia chegou! Chegou a minha vez…

Não tenho como descrever o sentimento. Recebi o e-mail da cliente dizendo os motivos “O senhor entregou o trabalho com alguns dias de atraso”, e eu respondi “mas Frau XXXX, a senhora já sabia dos motivos do atraso quando me passou o trabalho, eu lhe disse que viajaria ao Brasil e estava certo de que não haveria tempo suficiente para entregar a tradução. De mais a mais, lhe disse também que a tradução anterior estava muito mal feita, mandei a lista de erros crassos e levei algum tempo revisando a tradução anterior”. E o pior foi ficar escutando a “dita cuja” no telefone querendo me convencer de que eu estava errado!!!! Que desaforo!!! E depois ainda fiquei com raiva de mim mesmo porque fui idiota o bastante para querer impressionar um novo cliente (era o primeiro trabalho para a tal agência), “achando” que estava fazendo um bom trabalho, adicionando a revisão! Certo estava um chefe holandês que eu tinha e dizia “Quem acha não sabe nada!”.

O pior foi escutar o que a “infeliz” disse quando a avisei que iria acionar meu advogado para ingressar com um processo de cobrança judicial – “Ich freue mich drauf!” (“Não estou nem aí”). Não tenho palavras para explicar o sentimento de impotência no momento…

Já sei que o erro cometido foi não ter escrito e pedido a confirmação do adiamento da data de entrega. Em vez disso, como com tantos outros clientes, com os quais trabalho até hoje e que sempre se portaram com profissionalismo, a conversa ficou só no telefone. Nunca tive problemas nos pouco mais de dez anos que trabalho como tradutor. Na Alemanha, aprendi que a palavra do outro tem muito valor e os alemães me ensinaram a respeitar isso. Pois bem, encontrei a ovelha negra entre eles…

Mas não quero que pensem que calote é algo normal. Como já disse, nunca havia me acontecido antes. E tenho orgulho dos meus clientes, pois sempre me pagaram corretamente.

O meu consolo esta semana veio de alguns artigos escritos pelo Danilo Nogueira no seu blog. Um deles principalmente, que não encontro para citar literalmente no momento, mas cuja essência era essa – “não fique chorando pelo trabalho não pago porque você vai perder um tempo que poderia estar empregando em fazer captação de clientes”.

Assim, segui os conselhos deste profissional. Depois de conversar com uma outra profissional que respeito muito e amiga de muitos anos, a Bete Köninger, me convenci a postar este artigo. Estava mesmo com vergonha de escrever sobre isso, achando que estava errado. Mas meu erro foi querer oferecer um bom trabalho para um cliente que não dá o mínimo valor a isso. E que, quem sabe, talvez já estivesse agindo de má-fé antes mesmo de me mandar o trabalho.

Só posso dizer que estou muito triste por isso tudo e o dinheiro, que não é pouco, vai me fazer falta. Mas espero recebê-lo um dia. Enquanto não o recebo, vou atrás de clientes melhores…

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