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De grátis

Post bem curtinho. Como o André nunca aparece para escrever aqui, vou contar hoje uma historinha que acaba de acontecer com ele.

Uma agência mandou um e-mail com uma consulta para um serviço bem pequeno, umas 3 linhas,  com documento anexo e até TM. Normal, não é? Só que a coisa veio nesses termos:

“Prezado Sr. André, poderia, por favor, traduzir os textos abaixo para o português do Brasil DE GRAÇA? O assunto é URGENTE, portanto pedimos resposta imediata!”

É melhor nem comentar, mas achei que esse absurdo merecia ficar registrado em algum lugar.

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Lançamento do livro do Fabio M. Said

Oi pessoal!

Um lembrete. Não se esqueçam do lançamento do livro do Fabio Said neste fim de semana, dia 30 de abril. Pelo sumário é possível ter uma ideia do conteúdo do livro que vai tratar da tradução pelo seu lado prático, o que, pelo menos para mim, é mais interessante do que vários livros de teoria da tradução. Quem quiser saber mais sobre o lançamento e o livro clique aqui.

Abraços do André.

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HB-Männchen I

Quando estava bravo, meu pai costumava dizer “estou fulo da vida”. Era a expressão daquela época, fim dos anos 70, começo dos 80. Pois assim estou eu hoje.

Quando fui para a Alemanha, em Janeiro de 1996, ainda não tinha nem ideia do quanto as mulheres eram respeitadas e tinham o seu lugar na sociedade por lá, como continuam sendo e tendo (ainda que algumas amigas alemãs digam que não é bem assim). E devo ser sincero, também aprendi a respeitar mais ainda esse aspecto, pois cresci no meio de mulheres, já que em casa éramos 3 irmãos e a família: eu, minhas 2 irmãs, minha mãe e minha avó (meu pai era viajante e estava sempre fora). E, como se diz em alemão, eu era “o galo no cesto” (“der Hahn im Korb sein” – uma expressão usada para dizer que a pessoa é o único homem entre várias mulheres), sendo bastante bajulado pela minha avó e minha mãe (não preciso dizer o que minhas irmãs achavam disso…). Mas ainda assim me lembro que ajudava em certas tarefas da casa que meus amigos da escola não faziam.

Crescendo assim no meio delas, também aprendi a respeitá-las mais ainda e aprimorei esse respeito nos 13 anos que passei na Alemanha. Quando voltei ao Brasil, vi que muitos aspectos da sociedade tinham melhorado e que outros continuavam como antes. O desrespeito às mulheres é um destes aspectos que continua como antes, salvo algumas exceções.

Explico – minha namorada-esposa está tendo aulas de direção na Auto-Escola para perder o medo de conduzir e poder aproveitar melhor a vida dirigindo por Ribeirão Preto sem ter que depender do transporte público da cidade que, como em qualquer outra cidade brasileira, é muito ruim. Só que o instrutor dela, apesar de ser muito competente e estar conseguindo fazer com que ela perca o medo, não respeita os horários, desmarca as aulas quando bem entende, marca aula e não vem, deixando claro que, como ela é mulher, ela pode esperar e tem de aceitar as suas explicações.

Pois um dia desses, ele faltou, não avisou e quando foi questionado sobre não ter vindo dar aula à ela, deu uma desculpa qualquer e achou que ia ficar por isso mesmo. Ligou no outro dia antes das oito da manhã (!!!!) e queria marcar aula para ela. Eu, muito educadamente, soltei o verbo. Disse-lhe tudo que pensava, sendo interrompido por uns “ah, não é bem assim”, “você está interpretando mal”, “não, eu me enganei sobre o dia” e “mas eu vou repor esses minutos em falta”, entre outras frases com intenção de se desculpar. Depois dessa conversa espero que não aconteça nada mais, pois outro aspecto que tenho constatado é que eles respeitam mais quando um homem fala do outro lado da linha.

A Bete me contou sobre um comercial de cigarros na Alemanha que passava antes de eu botar meus pés por lá e disse que eu devo parecer com o tal homenzinho, HB-Männchen, quando estou nervoso. Pois pareço mesmo, só que me seguro, pois isso de “dar piti” e “fazer barraco” gasta muita energia. Mas é mesmo um absurdo o quanto eles vão desrespeitando e mais, e mais, até que a pessoa fica brava e começa uma discussão, pois não aguenta mais “tanta folgação”.

E aqui começo a falar das exceções que são respeitadas no Brasil, as mulheres que são ouvidas. Costumam ser as tais “barraqueiras” ou aquelas que ficam bravas e não deixam as faltas de respeito passarem despercebidas. Aí os homens latino-americanos começam a tratá-las melhor e suas palavras são ordens. Me lembro da minha irmã que mudou bastante e não permitiu que fizessem isso com ela nunca mais, tornando-se uma “barraqueira”, mas a verdade é que se elas não adotam essa posição, nunca são ouvidas. Há outros meios também, no entanto, tenho constatado que esse é o mais eficaz (para não falar de uma amiga que é delegada e quando a tratam mal, ela sabe muito bem o que fazer). Infelizmente é assim, pois realmente custa muita energia, nervos e mal-estar. É o preço a se pagar para ser respeitada.

Imagino certas amigas alemãs passando uma situação destas. Tenho certeza que elas fariam “picadinho” do sujeito.

Espero que isso mude um dia, enquanto eu ainda esteja neste mundo para poder presenciar.

Vou ficando por aqui.

Abraços do André

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Curso no CITRAT

O CITRAT estará oferecendo de 12.04 a 24.05 um curso sobre novas tecnologias aplicadas à tradução.

Nunca tive a oportunidade de fazer um curso lá, mas a USP é uma instituição de respeito, então creio que deva valer a pena. Quem quiser saber mais, clique aqui.

Também agradeço se alguém, que tiver feito cursos lá, fizer comentários aqui no blog.

Escreveu o André

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O calote

Fala o André

Esta semana me deparei com uma situação que até o momento só havia ouvido falar por terceiros – “alguém me contou uma vez que tinha um amigo que levou um calote”. E eu pensava “bem, coitado dele, ainda bem que nunca aconteceu comigo…”. Pois bem, esse dia chegou! Chegou a minha vez…

Não tenho como descrever o sentimento. Recebi o e-mail da cliente dizendo os motivos “O senhor entregou o trabalho com alguns dias de atraso”, e eu respondi “mas Frau XXXX, a senhora já sabia dos motivos do atraso quando me passou o trabalho, eu lhe disse que viajaria ao Brasil e estava certo de que não haveria tempo suficiente para entregar a tradução. De mais a mais, lhe disse também que a tradução anterior estava muito mal feita, mandei a lista de erros crassos e levei algum tempo revisando a tradução anterior”. E o pior foi ficar escutando a “dita cuja” no telefone querendo me convencer de que eu estava errado!!!! Que desaforo!!! E depois ainda fiquei com raiva de mim mesmo porque fui idiota o bastante para querer impressionar um novo cliente (era o primeiro trabalho para a tal agência), “achando” que estava fazendo um bom trabalho, adicionando a revisão! Certo estava um chefe holandês que eu tinha e dizia “Quem acha não sabe nada!”.

O pior foi escutar o que a “infeliz” disse quando a avisei que iria acionar meu advogado para ingressar com um processo de cobrança judicial – “Ich freue mich drauf!” (“Não estou nem aí”). Não tenho palavras para explicar o sentimento de impotência no momento…

Já sei que o erro cometido foi não ter escrito e pedido a confirmação do adiamento da data de entrega. Em vez disso, como com tantos outros clientes, com os quais trabalho até hoje e que sempre se portaram com profissionalismo, a conversa ficou só no telefone. Nunca tive problemas nos pouco mais de dez anos que trabalho como tradutor. Na Alemanha, aprendi que a palavra do outro tem muito valor e os alemães me ensinaram a respeitar isso. Pois bem, encontrei a ovelha negra entre eles…

Mas não quero que pensem que calote é algo normal. Como já disse, nunca havia me acontecido antes. E tenho orgulho dos meus clientes, pois sempre me pagaram corretamente.

O meu consolo esta semana veio de alguns artigos escritos pelo Danilo Nogueira no seu blog. Um deles principalmente, que não encontro para citar literalmente no momento, mas cuja essência era essa – “não fique chorando pelo trabalho não pago porque você vai perder um tempo que poderia estar empregando em fazer captação de clientes”.

Assim, segui os conselhos deste profissional. Depois de conversar com uma outra profissional que respeito muito e amiga de muitos anos, a Bete Köninger, me convenci a postar este artigo. Estava mesmo com vergonha de escrever sobre isso, achando que estava errado. Mas meu erro foi querer oferecer um bom trabalho para um cliente que não dá o mínimo valor a isso. E que, quem sabe, talvez já estivesse agindo de má-fé antes mesmo de me mandar o trabalho.

Só posso dizer que estou muito triste por isso tudo e o dinheiro, que não é pouco, vai me fazer falta. Mas espero recebê-lo um dia. Enquanto não o recebo, vou atrás de clientes melhores…

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Congresso da ABRATES

O congresso estava muito bom e se tivesse findado no sábado, já teria valido todo o investimento. O cansaço da viagem, o atraso do voo, pegar táxi, ir para o hotel, deixar a bagagem e partir para o evento sem tempo para descansar ou almoçar, já deixa cansado só de ler, mas a recompensa é clara e deixa um gostinho de “tomara que o próximo não demore muito!”.

Conhecer colegas com os quais só tenho a oportunidade de falar virtualmente,  rever outros que já passaram da relação do mundo virtual para o mundo real, ver as boas palestras realizadas com muito profissionalismo, enfim fazer bons contatos e, mais do que tudo, trocar experiências válidas, dando umas boas risadas de algumas histórias.

A palestra do Keynote Speaker João Roque Dias “A Babel Global: Crise ou Loucura” foi excelente e colaborou para elevar o sentimento de que o congresso estava muito bom. Espero mesmo que a ABRATES disponibilize as palestas em CD-ROM ou para baixar. Seria ótimo poder ver todas as palestras e aprender um pouco mais.

Foi o primeiro congresso do qual participei e confesso que fui meio receoso com relação ao resultado. Esse receio acabou e espero convencer outros colegas a participar da próxima vez.

Aproveito para recomendar o congresso da TRADULÍNGUAS em Lisboa. O João Roque Dias está organizando o „International Technical Translation Conference“ marcado para os dias 28 e 29 de maio e informou que será um evento com participação limitada (somente 190 participantes). Para acessar a página do evento clique aqui.

Abro parênteses para fazer um comentário. Ouvi dizer que a Renate estava muito aborrecida em Berlim por não poder ir a Porto Alegre. Bem, o próximo congresso não tardará e a Renate com certeza vai poder estar lá, nos dando o prazer da sua companhia.

Vou ficando por aqui e desejando a todos um bom início de semana para aqueles que já voltaram e um bom resto de congresso para os que ficaram em Porto Alegre.

Como ainda não descobrimos como assinar cada artigo, informo que esse aqui é do André.

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Proteção à vida animal

Queridos leitores (que ainda não tenho porque nunca escrevi aqui e estou perdendo o receio agora, postando meu primeiro artigo! 🙂 ), quando vejo o quanto os alemães são engajados na proteção à vida animal, vejo a dimensão da organização entre o Estado e a população aqui. Os subsídios oferecidos e os programas de voluntários (que não faltam entre a população) são os pontos que mais me impressionam. E as comparações com a “terrinha” são inevitáveis. A única referência que tinha sobre esse assunto era uma amiga muito engajada que, já na faculdade, vivia dando uma de “Dra. Pet” e até os animais atropelados nas madrugadas assisenses ela levava para os veterinários de plantão (devia ser a alegria deles porque não eram poucos que ela salvava…). Por que estou escrevendo sobre esse assunto? Como todos os dias de manhã, depois de acordar e tomar meu café, vou dar  uma olhada na página do UOL. Vi a notícia “Cão Bob ganha bloco e vai sair por ruas do Cambuí” e constatei mais uma vez o engajamento realizado de outra forma, a nossa forma brasileira. Num país onde os miseráveis são muitos, o Estado pouco se interessa pela proteção animal, quem dirá dar subsídios para associações protetoras de tal tipo. O povo faz então seu voluntariado “à la brasileira” e essa situação aqui também vai acabar em samba, mas com direito a reverter os fundos arrecadados para algumas associações protetoras dos animais.

Neste caso posso dizer com certeza que adoro o nosso “jeitinho brasileiro”.

Até a próxima!

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