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Schneematsch

Para você pronunciar direito essa palavra, eu deveria escrevê-la em português mais ou menos assim: xnêmát. Pelo menos seria essa a minha versão carioca. Isso traduzido é ” neve que começa a derreter e vira lama”. Ou, como preferem algumas soluções que encontrei por aí, “neve derretida”, “lama de neve”, “água de degelo”.

Fosse eu a autora de um dicionário da neve, essa coisa teria um único nome possível: neve melecada. Imaginem aquele barro que desce dos nossos morros brasileiros com as chuvas de verão, entupindo as ruas e estragando nossos sapatos. Agora imaginem isso cinza e com muito frio. É essa a ideia. Experimentem fazer uma busca de imagens no Google com “Schneematch” e depois me digam se eu não tenho razão.

Ontem levei meu primeiro escorregão de inverno ao descer do carro e pisar na tal neve melecada descuidadamente. Esqueci que, embora o troço já esteja derretendo, ainda há muito gelo por baixo. Para apagar o vexame, resolvi me vingar deixando aqui minha proposta pessoal de tradução para essa palavrinha infame.

E por falar em neve, encontrei no excelente blog do Fábio Said um ótimo post sobre os muitos nomes de neve e afins na língua alemã! Não deixem de ler aqui.

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Aus aktuellem Anlass: a Europa está fervendo!

O post de ontem, sobre minha atual birra com algumas agências, merece uma continuação. Mas vou fazer um intervalo e contar para vocês um pouco de um tema gravíssimo que tem concentrado a atenção da população na Alemanha (e, provavelmente, no resto da Europa também): está fazendo um calor de matar nessa terra!

Não estou exagerando, é de matar mesmo! Quando o verão chega com força aqui, a taxa de mortalidade entre idosos realmente sobe com o termômetro. Mas as temperaturas das últimas semana têm estado sempre acima de 30, o que é um espanto, e já chegaram aos 40 mais de uma vez. Oficialmente, a temperatura mais alta medida até agora foi de 38 graus à sobra em Berlim. Nesse dia, os termômetros expostos ao sol na Potsdamer Platz chegaram a marcar 46 graus e um repórter da TV, otimista, demonstrou o lado prático da coisa fritando um ovo na placa de metal que revestia o teto de um prédio.

Os centros das cidades foram invadidos por legiões de pernas e braços ao léu. Quem não tem que manter a gravata e o paletó, por alguma obrigação cruel,  entrou para o time das bermudas e sandálias. Até nos bancos, esses redutos de sisudez, tenho visto mulheres trabalhando de bermudas. O que dá margem a combinações de vestiário das mais supreendentes nesse povo que está mais acostumado a botas e cachecóis. Sol e calor costumam ser sinônimo de férias, por aqui. Então, a ordem tem sido tirar o guarda-roupa de férias da mala e usá-lo para a próxima reunião do departamento. Um desfile que, às vezes,  me diverte, como ver alguém com uma pasta de couro na mão, camisa colorida, bermuda bege, sapato de couro marrom com meias combinando com a bermuda.

Se eu conseguisse arrumar um tempinho no fim de semana, certamente iria nadar. Mas as piscinas públicas andam abarrotadas de gente à procura de algum refresco e a água não deve andar lá muito convidativa. Pena, pois a visita a uma piscina pública, para brasileiros, é sempre um programa divertido. Assim como os cariocas seguem todo um ritual quando vão à praia — a escolha do figurino, o lugar onde sentar, quando e como “dar um mergulho” — os rituais germânicos também existem e alguns são de arrepiar, apesar do calor.

Meu exemplo preferido é o troca-troca de biquíni, calção e maiô. Lembrando que estamos num país onde o normal é fazer frio, aqui niguém sai da água e fica molhado na sombra para se refrescar. Não senhor, onde é que estamos? Isso é problema nos rins na certa, resfriado, dores de ouvido, a bexiga se vinga e lá vem a temida infecção — Blasenentzündung! Aqui você tem que ter dois biquínis na bolsa: uma para ficar sequinha no sol, outro para nadar. Então, antes de cair na água, todo mundo se enrola na toalha, primeiro a parte de cima, depois a de baixo, sai um biquíni vermelho, entra um azul, sai o calção de florzinhas, entra a sunga, e por aí vai. E não pensem que isso é feito nas cabines. Não, é ali mesmo, no gramado, com todo mundo em volta. Não sei como eles conseguem, pois é preciso habilidade, mas a toalha cobre o essencial, desde que o vizinho não esteja deitado diretamente ao lado e caia na besteira de abrir o olho na hora errada. Já levei sustos homéricos ao me virar na grama e dar de cara com um desses contorcionistas no momento errado.

Já começo também a notar que as pessoas têm adotado um hábito que conheço do Brasil: entrar nas lojas, bancos ou centros comerciais só para se refrescar no ar condicionado. Obviamente, essa grande invenção ainda não existe aqui em muitos prédios, já que era desnecessária até agora. Mas se as mudanças climáticas continuarem desse jeito, e tudo leva a crer que sim, alguma coisa terá que acontecer. Há alguns dias, o ar-condicionado de um trem ICE quebrou. O trem parou numa estação e todos os passageiros foram transferidos para outro ICE que, além de ficar superlotado, também estava sem ar-condicionado. Resultado: um monte de gente passou mal, tiveram que chamar ambulâncias, interromper a viagem e a Deutsche Bahn está em vias de ser levada à justiça.

Eu também não tenho ar-condicionado. Aliás, nem geladeira no meu escritório eu tenho. É um lindo prédio antigo, romântico e totalmente impróprio para trabalhar no verão. Por isso, eu adotei a moda e hoje vim trabalhar de bermuda e sandália. Mas o ventinho quente do meu ventilador não está dando conta e minha água mineral, apesar de ser sem gás, já ficou efervescente. Por isso, vou pegar minha pastinha de couro, com meu laptop e meus papeis, e vou para casa, desfilando nas ruas com a última moda alemã.

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O outono e suas folhas

Montes de ideias para escrever, mas cadê o tempo?

Por hoje, vai ficar aqui só uma amostra do outono, que chegou firme, primeiro frio e chuvoso, mas agora com sol. E com ele, esta é uma das minhas estações preferidas na Alemanha, apesar dos cachecóis, casacos, meias e botas que voltam a infernizar a vida. O fato é que quando as folhas começam a amarelar e os parques tomam todas as tonalidades de vermelho, laranja, verde e marrom, eu me sinto como se fosse parte de um quadro impressionista. Esqueça os detalhes, importante são as cores.

Sem falar que andar sobre um tapete de folhas de todas as formas, ouvindo o barulhinho abafado e dando uns chutes de vez em quando para elas voarem, é uma alegria de criança.  É, eu adoro o outono.

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