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Es Molí

Vocês lembram de Dom Quixote e seus moinhos? Bonita história, não é?

Hoje vou falar de um moinho diferente, menos dramático, mas que definitivamente entrou para a minha lista de lugares prediletos no mundo. Chama-se Es Molí, um restaurante com um nome tão despretensioso quanto o lugar onde fica:  San Telm – ou San Telmo, ou Sant Elm, dependendo da placa – na ilha de Maiorca, no Mediterrâneo.

San Telm

As águas cristalinas de San Telm

Os alemães costumam dizer que Maiorca já é praticamente o 17° estado alemão, uma alusão à quantidade absurda de turistas alemães que invadem a ilha diariamente. É compreensível, Maiorca é um destino agradável e de fácil acesso, a apenas uma hora e meia de voo, com passagens baratas, praias e passeios belíssimos e gente alegre. Os alemães gostam tanto de Maiorca que alguns até emigraram para lá, como o nosso amigo Mathias Günter, que abriu sua escola e operadora de mergulho em San Telm, esse lugar privilegiado, longe da baderna turística, onde a única linha de ônibus que circula deixa uns poucos turistas e faz a curva de volta à chamada “civilização”. É para esse lugar que nós fugimos de vez em quando, à procura de descanso. E é ali, em frente ao ponto final do ônibus e à escola do Mathias (Scuba Activa), que há cerca de dois anos um grupo de gente teve a feliz ideia de reformar a casa e abrir um novo restaurante no velho moinho.

Na nossa primeira noite, entramos no restaurante por dois motivos: preguiça e curiosidade. Preguiça porque já era tarde, tínhamos acabado de chegar, carregando malas e equipamento de mergulho, queríamos jantar e era o lugar mais próximo, quase dobrando a esquina. Curiosidade porque ficamos surpresos com o novo visual do lugar.

Es Molí

A entrada do Es Molí.

Conhecíamos o antigo restaurante, um lugar simples, com comida gostosa, mas nada diferente dos outros que existem em San Telm. Agora, as mesas no jardim tinham um design moderno, a iluminação era outra, tudo estava diferente.

Achamos que tinham transformado o restaurante num lugar caro e afetado, como tantos na ilha, mas totalmente fora do contexto da cidadezinha. Fomos conferir o cardápio e – supresa! – os preços eram razoáveis e a descrição dos pratos apetitosa. Entramos e a surpresa foi melhor ainda. Decorado em tons de terra, cinza e branco, o lugar consegue ser elegante, mas também confortável e aconchegante. As mesas bem postas, a iluminação bem bolada e o pessoal atencioso fizeram com que nos sentíssemos imediatamente à vontade. Uma pequena entrada oferecida pela casa já deixou entrever que a cozinha tinha boas intenções com a gente.  Pedimos um prato de carnes grelhadas para dois que não ficou em nada a dever aos melhores churrasqueiros do Brasil e o vinho recomendado pela moça que nos atendeu era perfeito! E me arrependo de já não ter pedido naquela noite uma das saborosas sobremesas que só descobri nas outras visitas que fizemos.

Além do ambiente e da comida saborosa, o que nos fez voltar várias vezes ao Es Molí foi, principalmente, o atendimento. Sou carioca, sempre preferi os lugares onde posso entrar de havaianas às casas requintadas e esnobes, onde você mal tem tempo de esvaziar o copo e lá vem um garçom com a garrafa na mão para servir. Em lugares assim, tenho a sensação de estar sendo constantemente observada e não me sinto em casa.

Pessoal do Es Molí

Marta, José e o mago da cozinha, Juan.

No Es Molí, eles dominam a arte de encontrar o momento certo para perguntar se você deseja mais alguma coisa. Você pode comer à vontade, experimentar o prato do seu acompanhante, terminar de contar sua história sem alguém em pé ao lado para ouvi-la, recostar-se na cadeira enquanto o vinho desce e se acomoda no estômago, e se esquecer da vida. Quando precisar, basta um olhar e logo alguém vem atender, sempre com um sorriso agradável (e uma santa paciência com o nosso espanhol ridículo).

Aliás, a questão da língua daria um outro post, já que, embora a língua oficial seja o espanhol ou catalão, o que se fala na ilha é mallorquí . Mas isso, a operadora do Mathias e os alemães na ilha são história para mais tarde.

Enfim, se um dia você, leitor, for parar nesse maravilhoso cantinho do mundo que é San Telm, não deixe de entrar no Es Molí. Se você der sorte, vai encontrar um tataky de atún rojo no cardápio. Não perca! E mesmo se já estiver satisfeito, peça o sorbet de limão com vodca, ou (alô, meninas!) o brownie com sorvete. Sua dieta vai para o brejo, mas a alma agradece.

E nós também agradecemos à turma do Es Molí, por ter tornado nossos dias em San Telm ainda melhores. Gràcies!

Fiat Molí

Até o carro do Es Molí combina com o design.

Interior do Es Molí.

O interior do Es Molí: elegância simples.

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