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Não é só no Brasil

Sabem aqueles e-mails que a gente recebe de vez em quando, com fotografias de placas e cartazes absurdos encontrados Brasil afora? Pois é, a Alemanha também tem seus exemplares. E a foto aí embaixo é um deles.

A propaganda é a alma do negócio.

Isso foi ainda durante a feira Cebit, em Hannover. O cara estava vendendo aqueles pãezinhos enroscados típicos da Alemanha, Brezel, e como bom comerciante colocou lá sua propaganda: Warme Brezel – Brezel quentinhos! A uma temperatura abaixo de zero, quem não sentia vontade de parar e comprar os tais pãezinhos, nem que fosse para aquecer as mãos geladas? Mas, péraí. Zero grau, o cara ali parado com uma montanha de Brezels ao ar livre, quentes? Naquela geladeira? Oi?

Tiramos a foto e o cara, gelado e curioso, perguntou se a gente tinha gostado da barraca. Explicamos que a atração foi a placa. Quando saímos da feira e passamos por ali novamente, o cara ainda estava lá, firme e forte com os seus Brezels. Mas a placa tinha sumido. Vai ver ele ficou com medo de que algum brasileiro maluco resolvesse processá-lo por propaganda enganosa. Vida de vendedor de rua na Alemanha é muito mais complicada, minha gente!

P.S. Fiquei espantada com os Brezels de Hannover, enormes e totalmente diferentes dos que se encontram em Stuttgart. Munique também tem os seus, mais fininhos e crocantes. Mas isso eu explico outra hora.

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E com vocês, o verdadeiro HB-Männchen!

Nos posts anteriores, nos esquecemos de apresentar a personagem mais importante nessa história: o HB-Männchen.  Esse senhor era a figura principal da antiga campanha publicitária dos cigarros HB na Alemanha — aliás, nem sei mais se essa marca existe. A campanha seria impensável nesses nossos tempos de leis antitabagismo. Mostra um homenzinho (por isso Männchen) às voltas com problemas absurdos, que vai se esquentando até explodir como um foguete. E a única coisa que o acalma é fumar um HB. A figura virou sinônimo de gente esquentada. Mas vejam vocês mesmos uma propaganda original.

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Dark açaí

Chegou a vez do açaí.

Limão e mamão papaya já são figurinhas conhecidas nos mercados alemães. Até maracujá e goiaba aparecem de vez em quando. A acerola esnobou os mercados e preferiu chegar nas farmácias, camuflada de comprimido e com a fama de “Vitamin C-Wunder”, uma bomba de vitamina C milagrosa. Mas para o açaí, alguém resolveu inventar algo novo. Colocaram o suco da fruta numa elegante lata preta, deram-lhe um nome purista  – Schwarze Dose 28 – e rotularam a coisa de bebida energética, ou melhor, energy drink, que é muito mais cool. O resultado é isso aqui embaixo.

A nova moda do açaí. Será que pega?

O Açaí chegou à Alemanha como a Gisele Bündchen – ninguém percebeu ainda que é produto brasileiro. A embalagem é bem estilo Fashion Week, combina com as roupas descoladas e a decoração fria dos clubes. E a propaganda ainda promete energia suficiente para encarar um dia de 28 horas, ou seja, dá e sobra para sair da balada diretamente para a reunião com a chefia.

Só fico imaginando é que nome a fruta vai acabar levando nas bocas alemãs. Um pequeno teste entre amigos deu 80% para “akaí”. O resto ficou com “akai”, ou “assai” entre os que falam um pouco de francês e já sabiam o que é uma cedilha.

Os produtores do suco devem ter pensado nisso ao escolher um nome exclusivamente  alemão. Resta saber se uma frutinha tão simpática e inofensiva como o açaí vai tirar de letra seu novo papel de vampe na noite alemã.

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Mach mal Süden!

Seja na literatura, no jornalismo, nas letras de música, ou numa simples certidão de nascimento, um texto contém sempre uma carga de informação cultural que pode ser importante para o tradutor. Até mesmo as formas de tratamento usadas na correspondência oficial podem ser um indício de valores culturais. Na Alemanha, por exemplo, era comum terminar as cartas com um formalíssimo Hochachtungsvoll. Mas isso até pouco mais de 20 anos atrás. Hoje em dia, até notificações oficias da Justiça despedem-se do destinatário com um simpático Mit freundlichen Grüßen – mesmo que o pobre coitado que segura o ofício nas mãos tenha acabado de ser intimado pelo juiz a pagar uma multa de mil euros. Irônico ou não, o fato é que a linguagem mais simples usada nos documentos oficiais é também um resultado das mudanças ocorridas numa sociedade que procura ser menos burocrática.

Pessoalmente, o que me fascina são as campanhas publicitárias. A carga de informação cultural sintetizada em um slogan é algo que muitas vezes me parece realmente intraduzível, ou pelo menos não sem prejuízo do tempero cultural.

Um bom exemplo disso é a propaganda de Orangina que se vê atualmente nas estações de metrô em Stuttgart. A história da Orangina, uma marca de refrigerante com sabor de laranja, começou na Argélia, nos anos 30 do século XX, passando pela Espanha. Mas foi depois da guerra, nos anos 50, que a bebida tomou conta dos cafés franceses e tornou-se sinônimo do estilo de vida mediterrâneo: sol, mar, gente bonita, férias.

No mercado alemão, a bebida só começou a ser comercializada em grande estilo a partir de 2006. Até então, a bebida só era encontrada nos bares mais descolados. Para ter nas mãos uma garrafa de Orangina a qualquer hora, ou comprá-la em supermercados, os alemães tinham que atravessar a fronteira rumo ao sul. E é com essa imagem que a nova campanha trabalha. Uma garrafa cheia de Orangina sob o título Sonnenaufgang (sol nascente), outra já quase vazia com o título Sonnenuntergang (sol poente).

Ver o sol nascer

Ver o sol nascer

Ver o sol se por

Ver o sol se por

Provavelmente seria possível usar esses cartazes em outros países, traduzindo a mensagem (alguma sugestão?) e transmitindo a mesma ideia de sol, férias e boa vida. Mas é o slogan da campanha que me parece genial e feito sob medida para a Alemanha, e talvez para os países da Escandinávia. Ele está no cantinho à esquerda das fotos ao lado, ou pode ser visto também aqui. Mach mal Süden!

Já é um pouco difícil traduzir a expressão Mach mal, bem coloquial. Algo como um Faz aí!, dependendo do contexto. Mas a associação de Süden (sul) com sol, calor e férias é algo que só os habitantes do norte europeu podem entender. A frase remete também às expressões Mach mal Urlaub (Tire umas férias – talvez uma possível tradução para o slogan) e Mach mal blau (algo como tirar um dia livre, matar o trabalho, ou as aulas), esta usada também em parte da campanha. Ou seja, três palavrinhas transmitem aqui todo um universo de fantasias que povoam a cabeça dos alemães, maltratados por longos invernos e invejosos das calçadas ensolaradas à beira do Mediterrâneo. Uma mera garrafinha de Orangina é mais que a promessa de férias no bar da esquina. É o sonho de que a Floresta Negra se transforme na Riviera francesa. Agora, traduzam isso!?

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